Terras raras são vitais para os setores de transição energética, defesa e aeroespacial. O peso estratégico cresce com o domínio da China na oferta global dos 17 elementos químicos que compõem o grupo.

O Brasil tem reservas relevantes, mas ainda subexploradas por entraves econômicos e tecnológicos.

A rivalidade entre China e Estados Unidos coloca o país no centro do jogo, entre a pressão comercial e a chance de atrair investimentos, colocando esses recursos minerais no centro da geopolítica global.

O que são terras raras?

As terras raras consistem em um grupo de 17 elementos químicos que, embora não sejam necessariamente escassos, são difíceis de extrair e processar.

Elas possuem importância estratégica na tecnologia atual, pois são componentes fundamentais para a fabricação de uma vasta gama de equipamentos essenciais para a vida moderna e para a segurança nacional. Os três principais pilares são:

Já como moeda geopolítica, a importância das terras raras é amplificada pelo domínio da China, que controla quase 70% da produção mundial e detém 100% da tecnologia de refino das terras raras pesadas.

Esse monopólio transformou os minerais em ferramentas de barganha política. 

Recentemente, a China limitou exportações como retaliação a tarifas comerciais, o que impulsionou potências como os Estados Unidos a buscarem desesperadamente fornecedores alternativos, como o Brasil e a Ucrânia.

Qual a diferença entre terras raras e minerais críticos?

Os minerais críticos são parte dos elementos que compõem as terras raras, mas são insumos considerados essenciais para indústrias de alta tecnologia e para a segurança nacional de grandes potências.

Esse grupo mais seleto possui uma demanda global maior e riscos de fornecimento concentrados em poucos países.

Devido à dependência de cadeias de suprimento concentradas, os minerais críticos tornaram-se “moedas de troca” em negociações comerciais e diplomáticas.

Exemplos desses metais incluem o lítio, o nióbio, a grafita, o cobre e as próprias terras raras.

Qual é a relevância do Brasil?

O Brasil ainda não explora todo o seu potencial em terras raras devido a uma série de barreiras econômicas, estruturais e tecnológicas.

A abundância geológica das terras raras permite que o país possa ser um parceiro estratégico para parceiros internacionais que buscam alternativas à hegemonia chinesa.

Dono da segunda maior reserva mundial de terras raras — cerca de 25 milhões de toneladas, ou 19% do total global —, o Brasil produz apenas 0,02% do suprimento mundial desses metais.

Tentando garantir um lugar no tabuleiro geopolítico, Brasil e Índia firmaram, no último sábado (21), um acordo sobre terras raras e ampliaram a parceria comercial. Os dois países concordaram em trabalhar em estreita colaboração no processamento para garantir o fornecimento desses minerais em um momento de ruptura global.

“O acordo sobre minerais críticos ajudará a moldar uma cadeia de suprimentos nova e resiliente”, disse o primeiro-ministro Narendra Modi, após se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Déli.

A Índia é uma potencial fonte alternativa de oferta, já que o país busca reduzir a dependência da China e garantir insumos críticos para eletrônicos, energia limpa e defesa.

No entanto, mesmo com horizontes de expansão, a baixa produção brasileira em terras raras se dá por alguns motivos:

Apesar das dificuldades na mineração de terras raras, existe um movimento de interesse estrangeiro e esforços do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para incentivar uma cadeia produtiva nacional, como forma de aproveitar a posição estratégica do Brasil na disputa geopolítica.

Quais são as principais empresas de mineração de terras raras?