Existe um imposto cobrado em fundos de investimento de renda fixa e multimercados que se chama come-cotas. Ele tem esse nome porque é isso mesmo o que faz: “come” uma parte das suas cotas, os “pedacinhos” do fundo que te pertencem, a cada seis meses. É uma antecipação do imposto que seria pago no resgate – e isso tem um efeito negativo relevante para a rentabilidade no longo prazo.

Pense em um investimento de R$ 20 mil com um rendimento de 10% ao ano. A alíquota do come-cotas que incide sobre o lucro do investidor é de 15% para fundos classificados como longo prazo, que é a maioria dos casos. Cada vez que a cobrança é feita, sobra menos dinheiro rendendo dali em diante.

Em prazos menores, não parece muita coisa. Após três anos, por exemplo, o valor final líquido do investimento citado fica em R$ 25.524,33 com o come-cotas. Sem a retenção a cada semestre, com o imposto somente ao final do período, o montante seria de R$ 25.627,00. São R$ 102,67 de diferença.

Em cinco anos, essa diferença sobe para R$ 347,61.

Em fundos multimercados e de renda fixa, a cobrança da tributação final – sem contar o come-cotas a cada seis meses – funciona como uma escadinha, que começa em 22,5% para aplicações até 180 dias de duração e termina com 15% para investimentos acima de 720 dias.

Como os exemplos acima superam esse tempo, a aplicação é de 15% de imposto em todos os casos. Na hora do resgate dos recursos, o administrador do fundo faz o acerto de contas entre o que já foi descontado e o que sobrou para tributar. Não há diferença para as simulações.

Se o investidor mantiver o dinheiro rendendo por 10 anos, o resultado fica ainda mais expressivo: R$ 2 mil deixados na mesa ao fim do período.

Agora, vale mostrar a comparação com um fundo de previdência, em que não existe a cobrança do come-cotas.

Nas plataformas de investimentos e seguradoras, já existe a versão previdenciária de diversos fundos multimercados e de renda fixa, que replicam a gestão feita no fundo original. Ou seja, são ativos semelhantes sem a incidência do come-cotas.

O imposto sobre a previdência também respeita uma “escadinha”, que começa com uma alíquota de 35% sobre o lucro para investimentos até dois anos e termina com 10% para aplicações acima de 10 anos – a menor alíquota entre todos os investimentos tributados do país.

Nesse caso, o efeito do come-cotas fica ainda mais evidente: um abismo de R$ 3.594 para um fundo comum.

O come-cotas não tira muito do rendimento de uma vez, mas tira de forma regular – e é essa repetição que faz a diferença ao longo dos anos. Quando o investimento é de longo prazo, cada real que deixa de render pesa no resultado final. E é por essa razão que é essencial saber como os impostos são cobrados: a forma de tributar é tão decisiva quanto a rentabilidade de um investimento.