A expectativa do mercado é que a operação possa levar ao fechamento de capital da companhia da B3 e consolidar um grupo dominante no setor de armazenagem de grãos no Brasil e na América Latina.
Depois de meses de negociações e questionamentos de minoritários, a estrutura final passou a prever preço único para todos os acionistas e depende do apoio de investidores relevantes, como a gestora Trígono e a família Heller, que juntos detêm cerca de 27% do capital.
A proposta prevê o pagamento de R$ 11 por ação para os acionistas que optarem por receber apenas dinheiro, além de um valor adicional contingente de até R$ 1 por ação, condicionado a determinadas condições previstas no acordo. Caso o earn-out seja integralmente pago, o valor total da operação pode chegar a cerca de R$ 2,2 bilhões.
Líder absoluta
A combinação entre Kepler Weber e GSI deve dar origem a um dos maiores fornecedores de soluções para armazenagem de grãos do mundo, com posição dominante no mercado brasileiro.
A Kepler é líder nacional no segmento de silos, com cerca de 35% de participação, enquanto a GSI figura entre os principais concorrentes, com presença relevante no país e atuação global.
Controlada pelo fundo americano American Industrial Partners, a GSI faturava cerca de US$ 1 bilhão por ano e tem operações concentradas na América do Norte, além de presença crescente na América do Sul.
A combinação com a Kepler é vista como um atalho para ampliar a participação no Brasil, um dos poucos mercados ainda em expansão no setor de armazenagem agrícola.
O novo grupo passaria a disputar espaço global com fabricantes como Ag Growth International (AGI), Brock Grain Systems e Sukup Manufacturing, em um setor impulsionado pelo déficit estrutural de armazenagem de grãos no Brasil.
Prêmio
Embora a GSI tenha destacado inicialmente um prêmio de 48,3% sobre a média histórica das cotações, o ganho implícito é mais moderado quando comparado a referências mais recentes de mercado.
Em relação ao fechamento de R$ 9,71 na sexta-feira (27), último pregão antes do anúncio do acordo, a oferta de R$ 11 representa um prêmio de cerca de 13%, que pode chegar a aproximadamente 24% caso o pagamento adicional máximo seja atingido. Considerando o preço de R$ 9,11 registrado em 4 de novembro, quando a companhia confirmou o início das negociações, o prêmio é de cerca de 21%.
Na estrutura final do acordo, a proposta passou a prever um preço único para todos os acionistas, sem distinção entre controladores e minoritários. Ainda assim, a transação depende do compromisso de voto desses investidores relevantes para avançar na assembleia que deverá deliberar sobre a operação.
A Trígono é hoje a maior acionista individual da Kepler Weber, com cerca de 15% do capital, seguida pela família Heller, com aproximadamente 12%. Juntos, os dois grupos concentram uma fatia suficiente para influenciar o resultado da votação, em uma companhia de capital pulverizado.
Desembolso
Com 179,7 milhões de ações em circulação, o preço de R$ 11 por ação avalia a Kepler Weber em cerca de R$ 2 bilhões. Considerando as participações atuais, a Trígono e a família Heller detêm juntas uma fatia avaliada em aproximadamente R$ 530 milhões, o que representa a base necessária para viabilizar o controle da companhia.
Já um eventual fechamento de capital exigiria um desembolso adicional bem maior. As ações em circulação no mercado somam cerca de 70% do capital, o que, aos valores da proposta, representaria aproximadamente R$ 1,4 bilhão.
Caso a operação seja concluída, a Kepler Weber poderá deixar o Novo Mercado e ter seu registro de companhia aberta cancelado ou convertido para a categoria B, movimento que abriria caminho para uma eventual oferta pública de aquisição de ações (OPA) para retirada definitiva da empresa da Bolsa.