A BYD apresentou baterias mais potentes e tecnologias de recarga mais rápidas, além de modelos novos e atualizados, enquanto a maior fabricante de carros elétricos do mundo tenta reverter uma queda acentuada nas vendas em seu mercado doméstico.

Entre um pacote de atualizações tecnológicas, a empresa lançou em Shenzhen na quinta-feira sua nova geração das chamadas “blade batteries” e uma arquitetura de recarga ultrarrápida tipo “flash”. A tecnologia é capaz de carregar as baterias mais recentes de 10% a 70% em cinco minutos, e quase totalmente em nove minutos.

Mesmo em frio extremo, o tempo de recarga aumenta apenas marginalmente, acrescentou a empresa.

“Substituir carros movidos a combustíveis fósseis por veículos de nova energia é uma resposta crítica para a segurança energética nacional”, disse Wang Chuanfu, presidente da companhia, no evento, citando conflitos recentes no Irã e seus impactos sobre a indústria do petróleo. “Ninguém entende mais de baterias do que a BYD”, afirmou.

A empresa está apostando de forma mais pragmática em soluções para a autonomia dos veículos, em vez de investir em recursos chamativos de direção inteligente. Frequentemente criticada por ficar atrás de rivais mais focados em software, como Huawei Technologies e Xiaomi, o sistema de assistência ao motorista God’s Eye, lançado pela BYD no ano passado, teve recepção morna no mercado.

As vendas da companhia caíram 36% em janeiro e fevereiro na comparação anual, fazendo com que ela perdesse a liderança de vendas na China para a Geely Automobile Holdings. As ações da BYD recuaram cerca de 40% desde o pico em maio de 2025.

Embora as vendas externas da empresa continuem fortes, as dificuldades refletem a volatilidade da demanda global por veículos elétricos, que levou montadoras dos Estados Unidos e da Europa a recuar em suas estratégias de eletrificação.

Na China, a empresa também foi afetada pelo fim de incentivos governamentais, como isenções de imposto na compra de veículos elétricos e subsídios mais modestos para troca de carros, além de uma economia doméstica mais fraca em meio à desaceleração do mercado imobiliário.

Novos modelos e infraestrutura de recarga

No evento de quinta-feira, a BYD também apresentou uma série de modelos equipados com suas tecnologias mais recentes. Eles incluem carros das linhas populares Dynasty e Ocean, além da marca de luxo Yangwang, como o utilitário esportivo Datang, capaz de rodar até 950 quilômetros com uma única carga.

As novas células de bateria serão instaladas inicialmente em dez modelos, disse Wang.

Para impulsionar as vendas, a empresa prometeu um ano de serviços gratuitos de recarga ultrarrápida. Também planeja construir 20 mil estações de carregamento flash, incluindo 2 mil em rodovias, até o fim do ano — e avalia levar essa infraestrutura também para o exterior. A companhia acrescentou que redesenhou os carregadores para reduzir seu peso.

Expansão global

Embora as melhorias visem fortalecer o desempenho doméstico da BYD, elas também devem apoiar sua expansão internacional, onde a falta de infraestrutura de recarga ainda é um dos principais obstáculos para que motoristas adotem carros elétricos.

As vendas externas saltaram para 106 mil veículos no mês passado, e a empresa pretende vender 1,3 milhão de carros no exterior em 2026.

Ainda assim, parte da repercussão do evento pode representar mais uma vitória de marketing do que um salto tecnológico real. Algumas das tecnologias anunciadas já haviam sido apresentadas anteriormente em versões preliminares, mas ainda não foram amplamente comercializadas na linha de produtos da empresa.

Por exemplo, a primeira geração da recarga ultrarrápida da BYD — lançada no primeiro semestre de 2025 e chamada de “megawatt-flash charging” — foi disponibilizada apenas em dois modelos, o Han L e o Tang L. Esses carros venderam cerca de 33 mil unidades no ano passado, menos de 1% das entregas totais da BYD.

Além disso, a implementação real das estações de recarga ultrarrápida ainda é limitada, e as condições de uso no mundo real podem não reproduzir o desempenho ideal observado nos testes.