A Chevron diz que o presidente Javier Milei deve tomar mais medidas para desregulamentar a economia da Argentina e liberar os investidores dos controles de capital para que possam aproveitar ao máximo o crescente boom do xisto no país.

“Temos observado o progresso que o governo Milei tem feito em relação a impostos e à reforma trabalhista, e depois removendo restrições de capital”, disse Mark Nelson, vice-presidente de petróleo da Chevron, em entrevista em Nova York, nos bastidores de uma conferência sobre a Argentina. “Agora, eles estão onde precisam estar para garantir que Vaca Muerta compita dólar por dólar com o Permian? Está no caminho. Mas ainda há mais a ser feito”.

Para se aproximar dos custos da Bacia do Permian, nos Estados Unidos, Javier Milei está ampliando um programa para atrair investimentos estrangeiros, que agora inclui novos projetos de óleo de xisto.

Mark Nelson disse esperar que a Chevron solicite os chamados benefícios do RIGI (Regime de Incentivo para Grandes Investimentos, programa do governo argentino que concede incentivos fiscais, cambiais e regulatórios para grandes projetos) para dois de seus blocos menos desenvolvidos na formação de xisto da Patagônia, acrescentou.

Nelson vê Milei continuando a melhorar o ambiente de negócios para empresas como a Chevron, mas enfatizou a necessidade de a Argentina, uma economia historicamente volátil com uma política de fortes oscilações, permanecer nesse caminho.

“Quando se trata dos fundamentos, a Argentina está em vantagem”, disse Nelson, em referência à qualidade da rocha de xisto, “desde que as medidas políticas adotadas hoje sejam duradouras”.

O desenvolvimento da bacia de Vaca Muerta percorreu um longo caminho desde que a Chevron se tornou a primeira investidora estrangeira na região, em 2013. Hoje, produz quase 600.000 barris de petróleo bruto por dia, uma boa parte proveniente de uma joint venture da Chevron chamada Loma Campana.

Nas condições atuais, a Chevron planeja triplicar a produção na bacia entre agora e 2035, disse Nelson. Atualmente, a empresa produz cerca de 74.000 barris por dia.

Nelson afirmou que, em seus dois blocos relativamente pouco desenvolvidos — Trapial e Narambuena — a Chevron espera solicitar adesão ao principal programa de incentivo a investidores de Milei, o RIGI, que oferece isenções fiscais e outros incentivos favoráveis ​​aos negócios. Isso reduziria a diferença de custos em relação à bacia do Permian, que ainda é maior do que a Chevron gostaria, de 35%.

O RIGI também protege as empresas de futuros controles de capital. Milei tem flexibilizado os controles — e, em particular para a Chevron, garantiu que benefícios concedidos em 2013 finalmente fossem implementados.

“O ritmo de melhora torna mais fácil para investidores de longo prazo dizerem: ‘sim, estou disposto a dar mais um passo’”, acrescentou Nelson. “Sei que eles farão mais melhorias, e é por isso que a Chevron acredita na Argentina”.