A primeira sede da Aaru em Nova York tinha uma cesta de basquete e uma “sala da raiva”, onde funcionários quebravam mesas com martelos após falhas de codificação. A sala de conferências também servia como quarto de um dos cofundadores. O espaço parecia uma mistura de casa de fraternidade e laboratório de alta tecnologia, um visual adequado para uma empresa fundada por adolescentes.

Recentemente, a Aaru atingiu uma avaliação de US$ 1 bilhão, tornando-se uma das startups promissoras lideradas por jovens que ainda mal chegaram aos 20 anos e querem revolucionar indústrias inteiras em vez de frequentar a universidade.

Os cofundadores Cameron Fink e Ned Koh começaram a empresa há dois anos, quando tinham 18 e 19 anos, junto com o chefe de tecnologia John Kessler, então com 15 anos. (Kessler ainda não tinha idade suficiente para integrar o conselho, e seu pai precisou assinar a papelada do investimento.)

Em vez de pagar humanos para participar de grupos de foco e pesquisas, a Aaru usa milhares de bots de IA para simular respostas humanas. A empresa alimenta seus modelos com informações demográficas e psicográficas para criar perfis humanos que atendam às necessidades dos clientes, e os resultados desses bots são usados em desenvolvimento de produtos, precificação, identificação de novos clientes e pesquisas políticas.

Cameron Fink, Ned Koh e John Kessler, no sentido horário a partir do topo, são os fundadores da Aaru. Fotografia de Lanna Apisukh para o WSJ

A Aaru já realizou pesquisas e testes para empresas como McDonald’s, Boston Beer e o estúdio de cinema A24. Atualmente, ajuda a Bayer a testar textos criativos e slogans publicitários para algumas de suas marcas.

Os fundadores se conheceram no primeiro dia do ensino médio na Lake Forest Academy, nos subúrbios de Chicago, e criaram juntos empresas desde cedo, incluindo uma startup política de caixas de giz de cera para incentivar a votação e uma health-tech chamada Elda Bio.

Inicialmente trabalhando no porão de um amigo, a equipe validou seus modelos de IA prevendo eleições. Seus bots foram quase precisos na eleição de 2020, com um erro de apenas 0,5%, melhor que a margem de erro das pesquisas tradicionais.

A Aaru expandiu-se de pesquisas políticas para estratégia corporativa, trabalhando com CEOs e investidores de capital de risco. Por exemplo, ajudou a Spindrift Beverage a avaliar novas linhas de produtos, escolhendo rapidamente opções que levariam meses para uma pesquisa tradicional com consumidores.

Apesar do sucesso, convencer empresas de que bots podem substituir humanos não é simples. A Coca-Cola e a EY testam a tecnologia da Aaru, que em alguns casos já substitui pesquisas tradicionais, provando ser mais rápida e precisa.

“Se você pode prever o comportamento, isso não é apenas um acelerador para pesquisa”, disse Sameer Munshi, chefe de ciência comportamental da EY. “Isso é estratégia.”

Traduzido do inglês por InvestNews