No setor de óleo e gás brasileiro, a Petrobras, a Prio e a PetroReconcavo estão no centro das atenções de investidores que buscam renda com o pagamento de dividendos.

Mas existe uma diferença relevante entre elas: enquanto as petroleiras independentes oferecem um potencial de distribuição maior, a Petrobras é considerada uma aposta com maior previsibilidade, especialmente no turbulento momento para os preços do petróleo – e a despeito do risco de ingerência política por parte do governo federal.

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Para quem quer construir um portfólio com mais dividendos e exposição ao petróleo, a Prio é a opção mais direta – mas também mais arriscada, caso os preços do barril voltem a patamares mais baixos quando, por exemplo, os ataques no Oriente Médio forem interrompidos. A PetroReconcavo também funciona como uma alternativa, embora não na mesma magnitude do seu par no setor.

A Petrobras oferece uma exposição menos direta à cotação da commodity na comparação com as junior oils pela sua operação em refino, e não apenas em extração. E há a parte que mais interessa ao investidor que busca renda: um pagamento de dividendos considerado constante.

Mesmo em um cenário de preços do petróleo mais baixos, a empresa consegue operar com relativa resiliência para assegurar o pagamento de proventos – e isso inclui uma chance maior de dividendos extraordinários no quarto trimestre de 2026. Nesse caso, o cenário já considera os atuais preços do diesel e os subsídios concedidos pelo governo para aliviar os preços no mercado interno.

Isso porque a companhia deve gerar um excesso do chamado Free Cash Flow to Equity (FCFE na sigla em inglês para Fluxo de Caixa Livre para os Acionistas), o caixa disponível para distribuição aos acionistas depois do pagamento de despesas e a realização de reinvestimentos nas operações.

As contas foram feitas por analistas de ações do Itaú BBA, que traçam diferentes cenários para definir o tamanho dos pagamentos.

No cenário considerado mais pessimista, com um petróleo em US$ 60 o barril, o dividend yield (rentabilidade com dividendos) ficaria em 8%. Com o barril a US$ 75, o dividend yield subiria para 9%. No melhor dos cenários, com US$ 90 o barril, a rentabilidade saltaria para 11%.

Prio e PetroReconcavo

Por outro lado, a Prio tem um potencial de pagamento maior caso o petróleo se estabilize acima dos US$ 75 por barril ao longo do ano. Isso fará com que o dividend yield fique entre 11%, em cenário que considera a distribuição de todo o lucro previsto para este ano, e 29%, se a empresa mantiver como meta um endividamento mais baixo ou criar reservas de lucro.

Se a cotação do petróleo se estabilizar em US$ 60, o dividend yield da Prio cai para o intervalo entre 4,5% – em um cenário de distribuição de 100% do lucro – e 7,1% no caso de pagamento de dívidas e formação de reservas de lucro.

No melhor cenário para essa indústria, com o petróleo a US$ 90 o barril, o cenário com lucros distribuídos leva a um dividend yield de 18%, enquanto outro com controle do endividamento e reservas de lucro implicaria em uma rentabilidade de 39%.

Já a PetroReconcavo vai de 4% de dividend yield com um petróleo em US$ 60 a 15% se a cotação da matéria-prima se estabilizar em US$ 90, presumindo que 100% do Fluxo de Caixa Livre para os Acionistas seja distribuído.