O Bradesco intensificou a pressão, exigindo compromissos mais claros em relação à Raízen, de acordo com as fontes, que pediram anonimato porque as discussões são privadas. Essa postura pode atrapalhar os planos da Cosan de listar sua unidade de gás Compass, da qual o Bradesco é acionista.
O Itaú também sinalizou que pode adotar uma postura mais dura nas negociações, alertando que pode restringir o acesso a crédito para empresas dentro do ecossistema da Cosan caso todos os envolvidos não compartilhem o ônus da reestruturação financeira da Raízen, disseram algumas das fontes.
Os bancos estão buscando um valor maior da Shell, acrescentaram. A gigante do petróleo, que é co-proprietária da Raízen junto com a Cosan, já concordou em contribuir com R$ 3,5 bilhões (US$ 664 milhões).
A Cosan não está mais em negociações para aportar recursos, mas seu fundador, Rubens Ometto, concordou em investir R$ 500 milhões por meio de sua holding. O BTG, que ganhou relevância significativa nas discussões após investir R$ 4,5 bilhões na Cosan, já havia dito que não teria um papel ativo na reestruturação financeira da Raízen, mesmo antes de surgirem desentendimentos com a Shell.
Bradesco, Itaú, BTG, Cosan e Raízen não comentaram.
Credores estão frustrados com a decisão da Cosan de não injetar capital novo na Raízen, apesar das crescentes preocupações com a situação financeira da empresa. A decisão acabou forçando a Raízen — que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil — a fechar um acordo para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões.
O acordo de recuperação extrajudicial foi firmado na semana passada com credores que detêm pouco menos da metade da dívida da empresa — ele dá fôlego à Raízen, suspendendo obrigações de dívida e concedendo 90 dias para obter adesão de outros credores a um plano mais abrangente.
O acordo encerrou alguns meses turbulentos para a Raízen, que viu seus títulos caírem para níveis de alto risco enquanto as negociações por um resgate de seus principais acionistas se arrastavam, consumindo caixa.
Quando contratou consultores para otimizar sua estrutura de capital, as agências de rating rebaixaram a empresa do grau de investimento para níveis profundos de alto risco. A Raízen afirmou que os rebaixamentos representavam uma “ameaça grave, imediata e palpável”, à medida que credores pressionavam por vencimento antecipado de algumas dívidas, o que poderia desencadear um default cruzado e acelerar mais de R$ 60 bilhões em obrigações.
Divulgações da Raízen na semana passada mostraram que o Bradesco tem cerca de R$ 2 bilhões ajustados pelo câmbio a receber, enquanto o Itaú possui exposição superior a R$ 1 bilhão à empresa.