As informações constam em comunicado enviado aos clientes da XP Investimentos, que afirmou que, além dela, BTG Pactual e Itaú Unibanco já teriam adotado o mesmo procedimento.
A plataforma enviou o comunicado para informar que os ativos passarão a ser marcados a 40% do valor de face (valor original) para os clientes que ainda viam os rendimentos atualizados conforme as condições contratadas originalmente.
Na prática, a reprecificação reflete a perda de valor já vista nas negociações de debêntures e CRAs da companhia controlada pela Cosan e pela Shell no mercado secundário.
Nesse ambiente em que os detentores dos títulos vendem os papéis antes dos vencimentos, os ativos da Raízen estavam sendo oferecidos com esse nível de desconto.
A XP justificou a reprecificação devido ao pedido de recuperação extrajudicial (REJ) feito pela Raízen, homologada pela Justiça em 12 de março. Com a decisão, as cobranças de créditos – que incluem as debêntures – foram pausadas por pelo menos 180 dias.
Os CRAs, embora não façam parte da dívida incluída nas renegociações por terem garantias, na prática, também ficam sujeitos às condições do plano de recuperação. Isso porque o lastro utilizado nas emissões são debêntures emitidas por outras empresas do grupo. Portanto, as garantias não podem ser executadas até o fim do processo da REJ.
A XP afirmou também que desde 12 de março a “rentabilização das posições foi interrompida, com o preço unitário (PU) mantido constante” desde então.