Quase tudo o que fazemos — identificar especialistas, lidar com feedbacks difíceis do chefe, trabalhar em equipes com diferentes personalidades — depende da nossa capacidade de gerenciar relações. E isso exige habilidades sociais bem desenvolvidas.
A maioria dos profissionais adquire essas competências ao longo do tempo: nas relações fora do trabalho, observando colegas no escritório e aprendendo com erros nas interações profissionais.
Mas a geração mais nova — a Geração Z — é diferente de qualquer outra.
Por uma combinação de menos experiências presenciais, anos de formação em ambientes remotos e comunicação predominantemente assíncrona, muitos jovens perderam oportunidades importantes de desenvolver as habilidades necessárias para lidar com a complexidade do trabalho.
O resultado é que muitos chegam despreparados não só para prosperar, mas até para se manter no emprego.
Isso já tem efeitos claros. Jovens profissionais têm dificuldade de se adaptar às empresas, o que aumenta a rotatividade. Muitos saem — ou são desligados — sem entender o que deu errado, o que impede seu desenvolvimento.
Já aqueles que permanecem frequentemente se sentem frustrados, enquanto gestores não compreendem por que esses novos trabalhadores “não entendem” o funcionamento do ambiente corporativo.
Se a tendência continuar, o risco é de uma crise: uma geração que não se torna experiente o suficiente para colaborar ou liderar. Sem formação de lideranças, o próprio funcionamento das organizações fica comprometido.
A tempestade perfeita
Como chegamos a esse ponto?
As gerações mais jovens cresceram em um contexto particular.
Um dos fatores é a menor vivência de relacionamentos pessoais: pouco mais da metade chega à vida adulta tendo tido um relacionamento amoroso, bem abaixo das gerações anteriores. Essas experiências ajudam a desenvolver competências como empatia, comunicação, cooperação e resolução de conflitos — todas essenciais no trabalho.
Outro fator é o avanço do ensino online. Ambientes educacionais funcionam como um “treino” para o mercado, ensinando colaboração, networking e normas sociais — como pedir feedback ou se comunicar de forma adequada. Com aulas virtuais e interações limitadas, esse aprendizado ficou prejudicado.
Além disso, a Geração Z cresceu se comunicando principalmente por mensagens digitais. Isso dificulta lidar com situações espontâneas, como reuniões importantes, conversas difíceis ou feedback inesperado.
Dificuldades no dia a dia
Essa lacuna aparece em situações comuns. Imagine uma apresentação em equipe em que colegas falam por cima de você. Resolver isso exige enfrentar o problema diretamente — algo difícil para quem evita conflitos presenciais.
Também é preciso entender a dinâmica do grupo: falar com o time ou ir direto ao chefe? Sem convivência suficiente, essa leitura se torna mais difícil.
E, ao abordar o problema, entram em jogo habilidades de gestão de conflitos — saber comunicar sem gerar defensividade. Sem essas competências, o problema tende a permanecer sem solução.
O que as empresas podem fazer
Para enfrentar esse desafio, líderes precisam repensar a comunicação no trabalho, tornando-a mais clara e direta.
Primeiro, é importante estabelecer regras explícitas. Normas que antes eram implícitas — como o tom de e-mails, uso de emojis ou linguagem interna — devem ser explicadas, especialmente para novos funcionários.
Segundo, é necessário definir como se comunicar em diferentes situações. Questões simples podem ser resolvidas por mensagem, mas conflitos e decisões importantes devem acontecer por telefone, vídeo ou presencialmente.
Terceiro, é essencial criar uma cultura em que perguntar seja incentivado. A insegurança leva ao silêncio, mas o aprendizado depende de esclarecer dúvidas. Funcionários devem se sentir à vontade para perguntar sobre feedbacks, expectativas e comportamentos esperados.
No fim, é importante reconhecer que gerações cresceram com formas muito diferentes de comunicação e interação social. Gestores podem não entender completamente a Geração Z — mas o inverso também é verdadeiro.
A adaptação exige uma mudança de mentalidade: construir formas de comunicação diretas e acessíveis para todos, independentemente da geração.
Tessa West é professora de psicologia na New York University e autora de “Terapia do Trabalho: Encontrando um Trabalho que Funciona para Você”. Ela pode ser contatada pelo e-mail reports@wsj.com
Traduzido do inglês por InvestNews