As primeiras notas de US$ 100 com o nome de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, serão impressas em junho. As cédulas de outros valores virão nos meses seguintes.
A decisão rompe uma convenção tão antiga quanto o próprio papel-moeda americano.
Desde 1861, quando o governo federal começou a emitir suas próprias cédulas, o dinheiro dos Estados Unidos carrega duas assinaturas: a do secretário do Tesouro e a do tesoureiro nacional. São dois cargos técnicos, não políticos. No Brasil, a lógica é semelhante: assinam as cédulas do real o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central.
Ao manter o presidente fora das cédulas, os Estados Unidos estabeleceram uma separação simbólica entre o chefe de Estado e o dinheiro que circula em seu nome. A legislação que rege a impressão das cédulas permite retratos apenas de indivíduos falecidos, e as assinaturas sempre pertenceram a funcionários do Tesouro, nunca ao ocupante da Casa Branca.
Trump rompe uma tradição de 34 ocupantes do cargo que assinaram cédulas ao longo de 165 anos. O Tesouro justificou a mudança como homenagem ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, celebrado neste 4 de Julho.
Personificação
O gesto se insere num padrão mais amplo do novo governo Trump. A troca de assinaturas é a mais recente de uma série de iniciativas do presidente para estampar o nome do presidente em edifícios, instituições, programas governamentais, navios de guerra e moedas, como lembrou o The Wall Street Journal.
O Kennedy Center, um dos principais espaços culturais de Washington, criado como memorial ao presidente assassinado John F. Kennedy, passou a carregar também o nome de Trump. O Instituto da Paz dos Estados Unidos foi renomeado.
Um painel federal aprovou o desenho de uma moeda de ouro comemorativa com o rosto do presidente, algo que, por tradição, só ocorre após a morte do homenageado. A exceção mais próxima é Calvin Coolidge, que apareceu numa moeda em 1926, no 150º aniversário do país.
Em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia testado o recurso: assinou pessoalmente os cheques de auxílio emergencial distribuídos aos americanos durante a pandemia de covid-19. A diferença agora é de escala e permanência.
Uma cédula de dólar circula, em média, por anos, dentro e fora dos Estados Unidos, e carrega consigo o peso simbólico da maior economia do mundo.