Perto das 12h30, a Natura (NATU3) subia 9,74%, cotada a R$ 10,14. O Ibovespa, no mesmo horário, avançava 1,43%, aos 185.119 pontos.
O preço de R$ 9,75 pode ser interpretado como um “piso” para a ação. Ontem (30), os papéis estavam em R$ 9,24. Quer dizer: com a notícia, investidores entraram comprando logo na abertura do pregão, empurrando o preço para perto (e até acima) desse nível.
Por que as ações estão subindo?
A lógica é simples: se um investidor sofisticado está disposto a montar uma posição relevante nessa faixa, isso reduz a percepção de risco de queda no curto prazo. Esse patamar funciona como referência e tende a sustentar o papel no curto prazo, ainda que não impeça oscilações.
E aí entra a leitura mais direta para o futuro da empresa: a chegada de um investidor global desse porte é um sinal de qualidade para os chamados “fundamentos” da companhia.
Afinal, uma vez concluída a operação, o fundo poderá indicar dois membros adicionais para o conselho de administração e participar de comitês de assessoramento, em um momento em que a Natura passa por uma reestruturação para um novo ciclo de expansão.
Analistas e gestores avaliam que, a partir daqui, o mercado aceitará múltiplos mais altos — ou seja, pagar mais pela mesma empresa — se acreditar que ela agora tem melhores condições de execução. É o que se espera com as mudanças e com o novo ciclo, onde o foco é ter mais presença na América Latina.
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Comprar ou vender: o que fazer com NATU3 agora?
O “pacote” de mudanças anunciado pela companhia, com reformulação do conselho, menor influência direta dos fundadores e maior presença de membros independentes, é vista como um gatilho importante para melhorar a tomada de decisão e a disciplina estratégica, conforme notam os analistas do Itaú BBA e do BTG Pactual, em relatório enviado a clientes.
Para quem investe, isso significa uma empresa potencialmente mais previsível e mais alinhada com a geração de valor no longo prazo.
É claro que a entrada da Advent não resolve, por si só, os desafios operacionais. A Natura ainda precisa provar que consegue voltar a crescer de forma consistente, recuperar margens e executar bem sua estratégia, especialmente no Brasil. O desempenho ao longo de 2026, com destaque para os próximos trimestres, será decisivo para validar essa trajetória.
É o caso da marca Avon, relançada em março, e que entra em um “ponto de inflexão crítico”, segundo o Itaú BBA. Isso porque a operação representa cerca de 15% da receita no Brasil. É bastante, o que significa que, se o relançamento fracassar e o crescimento da receita ficar abaixo do esperado, a administração será obrigada a reavaliar o investimento na marca.