A fase inicial da missão de 10 dias ao redor da Lua — um projeto multibilionário desenvolvido ao longo de cerca de uma década — representa um avanço importante para a NASA e seus tradicionais parceiros do setor aeroespacial, enquanto a agência busca estabelecer uma base na Lua e, no futuro, avançar rumo a Marte.
A cápsula Orion da tripulação, construída pela Lockheed Martin Corp. e acoplada ao foguete Space Launch System (SLS), da Boeing, decolou às 18h35 (horário local) do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
O sistema de lançamento, mais alto que a Estátua da Liberdade, atingiu velocidades de cerca de 28 mil km/h enquanto avançava para o espaço, deixando um rastro de fogo e fumaça. Durante a subida, os propulsores laterais foram descartados após cumprirem sua função de fornecer impulso adicional.
Dentro da cápsula, os astronautas podiam ser vistos pressionados contra seus assentos, vestindo trajes espaciais laranja. Cerca de oito minutos após o lançamento, os motores principais do SLS foram desligados conforme o previsto, e a cápsula alcançou o espaço.
“Temos um lindo nascer da Lua. Estamos indo direto para ela”, disse o astronauta e comandante da missão, Reid Wiseman, durante a transmissão ao vivo.
Cerca de uma hora depois, o motor principal da Orion foi acionado, colocando a espaçonave em órbita estável ao redor da Terra.
Viagem histórica
A tripulação deve viajar mais longe no espaço do que qualquer ser humano na história recente. As missões Artemis buscam repetir — e superar — os feitos do histórico Programa Apollo, que levou Neil Armstrong e outros 11 homens à superfície lunar nas décadas de 1960 e 1970.
O lançamento mobilizou espectadores em diversas cidades dos EUA, com transmissões ao vivo acompanhadas por centenas de milhares de pessoas.
Com o programa Artemis, a NASA pretende estabelecer presença duradoura na Lua. O administrador da agência, Jared Isaacman, apresentou um plano de US$ 30 bilhões ao longo de uma década para construir uma base lunar onde astronautas possam viver e trabalhar.
A estratégia inclui novas missões de teste, como uma prevista para 2027, que deverá acoplar a espaçonave a módulos lunares desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin.
A tripulação passará cerca de quatro dias viajando até a Lua, incluindo uma passagem pelo lado oculto — região nunca visível da Terra. A aproximação máxima deve levá-los a cerca de 6.600 quilômetros da superfície lunar, com o astro aparecendo do tamanho de uma bola de basquete vista da janela da cápsula.
Além de Wiseman, participam da missão os astronautas Victor Glover, piloto da missão, e Christina Koch, especialista que participou da primeira caminhada espacial exclusivamente feminina. O canadense Jeremy Hansen também integra a equipe, em sua primeira viagem ao espaço.
Cerca de três horas e meia após o lançamento, a cápsula Orion se separou do estágio superior do foguete. Durante uma manobra de teste, Glover assumiu o controle manual da nave para avaliar sua dirigibilidade, simulando futuras operações de acoplamento.
No segundo dia, o motor principal será novamente acionado para colocar a nave em trajetória rumo à Lua.
A missão ocorre em meio a uma corrida geopolítica: os Estados Unidos buscam retornar à Lua antes da China, que também pretende enviar astronautas ao satélite até o fim da década e já realizou pousos no lado oculto lunar.
A Artemis II também marca uma série de “primeiras vezes”: Koch será a primeira mulher a viajar até as proximidades da Lua, Glover o primeiro astronauta negro, e Hansen o primeiro canadense a participar de uma missão lunar.
Apesar do marco histórico, o programa enfrenta desafios, incluindo atrasos e estouros de orçamento no desenvolvimento do SLS e da cápsula Orion.
Após completar o sobrevoo lunar, a gravidade trará a tripulação de volta à Terra. No décimo dia de missão, a cápsula reentrará na atmosfera e pousará no Oceano Pacífico com o auxílio de paraquedas, onde será resgatada por equipes da NASA e da Marinha dos EUA.