A Diageo, a PepsiCo e a Anheuser-Busch InBev, dona da Ambev, anunciaram a retirada de seus patrocínios do Wireless Festival, um grande festival de música em Londres, após escalar Kanye West, que agora atende pelo nome de Ye, como atração principal. As informações foram divulgadas pelo jornal americano The Wall Street Journal nesta segunda-feira (6). O festival está marcado para julho no Finsbury Park e vinha sendo promovido como “Pepsi Max Presents Wireless”.

West, anunciado na semana passada como headliner, deve se apresentar durante os três dias do evento. A decisão de incluí-lo no line-up gerou críticas de políticos britânicos, incluindo o primeiro-ministro Keir Starmer, que classificou a escolha como “profundamente preocupante”. A retirada das empresas reforça a tensão entre o apelo cultural do rapper e a percepção de responsabilidade social de grandes marcas.

O rapper vem promovendo seu novo álbum, Bully, lançado em 28 de março, enquanto tenta superar anos de polêmicas que prejudicaram sua reputação e seus negócios. Entre as controvérsias, estão elogios a Adolf Hitler, negação do Holocausto e declarações de que a escravidão teria sido uma “escolha”.

Em janeiro, West publicou um anúncio de página inteira no The Wall Street Journal, em formato de carta, pedindo desculpas “àqueles que machuquei” e afirmando estar “profundamente envergonhado” por suas ações, atribuídas ao transtorno bipolar. Ele também afirmou estar buscando equilíbrio por meio de medicação, terapia, exercícios e mudanças no estilo de vida.

Fim da parceria

As controvérsias anteriores afetaram significativamente seu império corporativo. Adidas e Gap encerraram parcerias com West em 2022, eliminando importantes fontes de receita em roupas e calçados de marca. No caso dos tênis Yeezy, a Adidas ficou com mais de US$ 1 bilhão em estoque não vendido. A disputa judicial entre Adidas e West foi resolvida em 2024, sem pagamentos ao rapper.

Apesar dos problemas, West mantém uma base sólida de fãs: são 73,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 19,7 milhões de seguidores no Instagram. Seu novo álbum Bully marca uma tentativa de reconstrução de imagem, enquanto ele firma contratos com empresas de música como Gamma, avaliados entre alguns milhões e dezenas de milhões de dólares.

O impacto da retirada das marcas é significativo, pois o patrocínio corporativo é essencial para a viabilidade financeira do festival. A PepsiCo, dona de marcas como Pepsi, Lay’s e Gatorade, informou que decidiu encerrar o patrocínio.

O que dizem as empresas

A Diageo, dona de bebidas como Johnnie Walker, Smirnoff e Guinness, confirmou sua decisão, alegando preocupações com a participação do rapper. Anheuser-Busch InBev, dona da Ambev e de marcas como Budweiser e Stella Artois, também se retirou, seguindo o mesmo caminho das outras empresas.

Representantes de West e do Wireless Festival não responderam aos pedidos de comentário. A situação levanta questões sobre como grandes eventos e artistas polêmicos precisam equilibrar notoriedade, relevância cultural e responsabilidade social em um ambiente global de grande visibilidade, redes sociais e opinião pública crítica.

O caso evidencia os desafios enfrentados por festivais de grande porte: manter a atração do público sem comprometer relacionamentos com patrocinadores, ao mesmo tempo em que navega por questões de imagem e ética.