Segundo a empresa, a administração da Oncoclínicas analisa a possibilidade de ingressar com uma medida cautelar visando à proteção contra cobranças, diante do risco de descumprimento de covenants financeiros, especialmente o índice de alavancagem (dívida líquida/EBITDA) referente ao exercício de 2025 previstos nas escrituras de emissão de debêntures e outros instrumentos de dívida.
A companhia destacou que o chamado “pedido cautelar” teria como objetivo preservar sua posição enquanto negocia com credores, mas ressaltou que ainda não há decisão final sobre a efetiva interposição da medida nem sobre o momento em que isso poderia ocorrer. A administração afirmou ainda que avalia diversas iniciativas e alternativas para endereçar sua situação econômico-financeira, incluindo potenciais operações com terceiros.
Disse ainda que o movimento é um desdobramento das discussões com credores já divulgadas em fato relevante de 9 de março de 2026 e reforçadas na nova comunicação ao mercado.
Atrasos
Segundo reportagem da Bloomberg publicada na noite de terça-feira, um dos caminhos possíveis seria uma cautelar de mediação com credores de CRI, títulos lastreados em recebíveis imobiliários no Brasil, em vez de um pedido mais amplo. As fontes ressaltam, contudo, que nenhuma decisão foi tomada até o momento.
Ainda de acordo com a Bloomberg, a companhia vem passando por um processo de enxugamento operacional. Os atrasos em tratamentos aumentaram, enquanto a empresa ajusta seu quadro de funcionários e sua rede de clínicas, tendo cortado cerca de 70 empregos nas últimas semanas.
A Oncoclínicas faz parte de um grupo de empresas de saúde brasileiras que buscam reduzir o endividamento após um período de expansão agressiva. O cenário de juros em dois dígitos tem agravado os desafios do setor.
A empresa não possui títulos globais, e sua dívida está denominada em moeda local, segundo dados compilados pela Bloomberg.
O caso ocorre em meio a uma sequência de eventos negativos no crédito corporativo brasileiro. Empresas como Raízen e GPA entraram em recuperação extrajudicial, enquanto a Alliança Saúde também busca uma medida cautelar.
O momento é considerado delicado para a Oncoclínicas, com investidores levantando preocupações sobre potenciais conflitos de interesse e práticas de governança, em parte devido aos vínculos da companhia com o Banco Master.