Segundo a companhia, o atraso decorre da complexidade do processo de revisão, que envolve a reapresentação de resultados de períodos anteriores e o reprocessamento de um volume relevante de dados.
A empresa ressaltou que o adiamento não está relacionado a qualquer indício de fraude nem a desdobramentos de acordos anteriores. De acordo com a Aegea, a revisão tem caráter estritamente contábil e não afeta sua liquidez, geração de caixa ou o cumprimento de covenants financeiros.
Escrutínio do mercado
O novo adiamento ocorre em meio ao aumento do escrutínio do mercado sobre a companhia. Após o atraso inicial e o rebaixamento da nota de crédito por agências como S&P Global e Fitch Ratings, cresceram as preocupações entre credores e investidores.
Esse movimento já se reflete nos títulos de dívida da empresa, que passaram a ser negociados com taxas mais elevadas no mercado secundário, o que implica queda de preços e maior percepção de risco. No exterior, bonds da companhia chegaram a ser negociados com descontos relevantes em relação ao valor de face, em meio à volatilidade recente.
Analistas também apontam preocupações com governança e transparência após o adiamento do balanço. Em relatório recente, a S&P destacou que a estrutura corporativa da Aegea é complexa e pode exigir ajustes adicionais na consolidação de dívida e fluxo de caixa, o que impacta a avaliação da agência sobre gestão e divulgação de informações.
As dúvidas aumentaram ainda porque não é a primeira vez que a companhia revisa seus números. Em 2024, a Aegea reapresentou demonstrações financeiras de anos anteriores para corrigir a contabilização de operações entre partes relacionadas.
O cenário ocorre em um momento em que a empresa vinha sendo avaliada para um potencial IPO bilionário no Brasil, mas a deterioração recente na percepção de risco pode atrasar esses planos, segundo analistas de mercado.
Além disso, o atraso na divulgação das demonstrações levanta riscos técnicos, como a possibilidade de aceleração de dívidas em caso de descumprimento de prazos contratuais, o que poderia acionar cláusulas de default cruzado em alguns instrumentos.
Com isso, a companhia não cumprirá o prazo anteriormente estabelecido para a divulgação do balanço e também não realizará a teleconferência até que as demonstrações financeiras estejam concluídas.
A Aegea afirmou ainda que o Conselho de Administração e o Comitê de Auditoria acompanham de perto o processo e reiterou seu compromisso com a transparência. A empresa disse que está adotando medidas para evitar a recorrência de situações semelhantes, incluindo a revisão de seus procedimentos internos.
A companhia acrescentou que manterá acionistas e o mercado informados sobre novos desdobramentos.