A Intel se tornou rapidamente uma das ações mais “quentes” do índice S&P 500 Index após uma sequência de nove dias de alta que adicionou mais de US$ 100 bilhões em valor de mercado.

Uma série de notícias positivas nas últimas duas semanas reacendeu o entusiasmo dos investidores de que a fabricante de chips pode conseguir uma recuperação significativa após anos de desempenho fraco, marcados por temores de perda de competitividade na produção de semicondutores.

As ações registraram sua melhor semana desde janeiro de 2020 e dispararam 53% em nove sessões, incluindo a segunda-feira (13). Trata-se do maior avanço já registrado em um período semelhante desde que a empresa abriu capital em 1971.

“Claramente, não está mais em suporte de vida”, disse Thomas Hayes, presidente e sócio gestor da Great Hill Capital, que administra cerca de US$ 1 bilhão e possui ações da empresa.

A recente disparada foi impulsionada por um anúncio no início de abril de que a Intel concordou em pagar US$ 14,2 bilhões para recomprar metade de uma fábrica na Irlanda da Apollo Global Management. O movimento foi interpretado como sinal de avanço no processo de recuperação.

“A empresa se vê em modo de expansão, não de sobrevivência”, afirmou Hayes.

As ações subiram 3,1% na segunda-feira.

Intel e Musk

Os papéis ganharam novo impulso na semana passada após a Intel anunciar que participará do projeto Terafab, de Elon Musk, para desenvolver semicondutores para a Tesla, a SpaceX e a xAI. Em seguida, a Alphabet informou que usará futuras gerações dos processadores Xeon da Intel em seus data centers.

O rali elevou os ganhos da ação no ano para 72%, após uma alta de 84% em 2025, impulsionada por investimentos da Nvidia, da SoftBank e até do governo dos EUA. A participação do governo agora vale cerca de US$ 27 bilhões, mais de três vezes o investimento original e ligeiramente abaixo do que os EUA gastam anualmente com serviços de creche.

“A narrativa da Intel continua ganhando força”, escreveu o analista Ben Reitzes, da Melius Research, ao elevar pela terceira vez neste ano seu preço-alvo para a ação. “A tese de que a Intel é um ativo estratégico como foundry parece ser validada diariamente.”

Ainda assim, o papel permanece cerca de 8% abaixo do pico de 2020, enquanto o S&P 500 acumula alta superior a 100% no período, impulsionado em parte pelo avanço de fabricantes de chips ligados à inteligência artificial, como a Nvidia, a Broadcom e, mais recentemente, a Micron Technology.

O mercado também não está totalmente convencido de que o pior já passou para a Intel. Dos 52 analistas acompanhados pela Bloomberg, apenas 10 recomendam compra das ações e seis recomendam venda, mais que o dobro da média do S&P 500.

O consenso de recomendação da empresa está em 3,15 de um total de 5, o mais fraco entre fabricantes de chips. Além disso, o papel negocia com prêmio relevante em relação ao preço-alvo médio dos analistas, sinal de que pode ter subido rápido demais.

Tudo isso ocorre enquanto a ação é negociada a mais de 90 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, o maior nível já registrado. Esse patamar é mais de 50% superior ao observado no pico da bolha da internet e bem acima da média de cerca de 21 vezes de um índice do setor de semicondutores.

Ainda assim, alguns analistas defendem uma visão de longo prazo. Embora a Intel deva registrar prejuízo líquido de cerca de US$ 0,17 por ação neste ano, o lucro é projetado em US$ 0,33 por ação em 2027 e US$ 2,13 em 2029, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Jay Goldberg, da Seaport Group, afirmou que Wall Street provavelmente subestima o potencial de lucros da empresa no longo prazo. Apesar de considerar as avaliações do setor “completamente insanas”, ele vê mais espaço para a Intel surpreender positivamente.

“Será muito difícil para a Nvidia surpreender significativamente para cima neste ano, ao contrário da Intel, que vem de anos difíceis e tem mais chance de apresentar resultados acima das expectativas”, disse.