Em meio às discussões para que a Raízen consiga reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívida, o empresário Rubens Ometto, co-controlador e presidente do conselho (chairman) da companhia de açúcar e etanol e de distribuição de combustíveis, afirmou neste sábado (23) que sua proposta de aportar R$ 500 milhões segue de pé independentemente da sua manutenção no comando do board.

“Eu não tenho apego a cargo, mas [caso saia da função] o que a Raízen precisa ter é alguém que conheça o negócio”, ponderou o empresário ao InvestNews, durante participação em evento promovido pelo grupo Esfera Brasil, em Guarujá, na Baixada Santista, no estado de São Paulo.

Ometto, que também é presidente do conselho da Cosan, holding que reúne, além da Raízen, a Rumo e a recém-listada Compass, entre outras companhias, voltou a afirmar que acredita na reestruturação de sua empresa de bioenergia após um período de “salto alto”.

“Nós investimos US$ 6 bilhões nos últimos anos, entre a compra da Biosev, o etanol de segunda geração e a operação na Argentina. Agora temos que arrumar a casa”, acrescentou.

O bilionário empresário reconheceu que a aposta no etanol de segunda geração (E2G), combustível feito a partir do bagaço da cana-de-açúcar, com maior aproveitamento e menor emissão de carbono, não trouxe o retorno esperado.

O E2G, sigla pela qual também é conhecido o etanol de segunda geração, ainda não conseguiu obter um prêmio significativo em relação ao preço do etanol convencional na hora da comercialização, frustrando os planos da Raízen.

“Talvez pudéssemos ter investido no etanol de milho [produto em expansão no Brasil], mas a Raízen pagou o preço de querer inovar. No longo prazo, o etanol de segunda geração vai ganhar força”, disse Ometto.

O co-controlador da Cosan brincou que está vendendo seus carros para ter capacidade financeira de aportar meio bilhão de reais na Raízen — o investimento será feito por meio de sua holding pessoal, a Aguassanta, já que não houve consenso entre os sócios da Cosan para um aporte.

Na outra ponta, a anglo-holandesa Shell, sócia da Cosan na Raízen, se comprometeu a injetar outros R$ 3,5 bilhões. Os principais credores pedem mais recursos para evitar uma conversão maior da dívida em ações da empresa de bioenergia.

Os detentores de dívida vêm pressionando para que Rubens Ometto deixe a presidência do colegiado, uma vez que os credores serão os principais acionistas da empresa em uma eventual conversão de dívida.

“Estão querendo me demitir, então vou começar a entregar meu currículo por aí”, brincou. Mas afirmou que uma solução virá em breve.