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Você prefere ganhar uma quantia em dinheiro agora ou saber tocar violão?

Entenda o porquê de algumas pessoas tomarem decisões imediatistas relacionadas ao dinheiro.

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Tirando aqueles que nutrem o desejo por uma carreira artística, ao decidir as pessoas tendem naturalmente a escolher o dinheiro. Incentivos extrínsecos ou externos, como receber uma nota novinha em folha de R$ 200 (ou, quem sabe, um crédito via Pix), nos atraem muito mais do que os intrínsecos – aprender a tocar um instrumento. Saber executar sua música favorita no violão é bom, mas leva tempo. O dinheiro você gasta agora.

É a premissa também do empurrão (o nudge na versão original), que estimula algum comportamento positivo, como poupar para a aposentadoria tendo o dinheiro debitado da conta todos os meses. O conceito, popularizado pelo ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Richard Thaler, pressupõe que haverá sabedoria para que o incentivo seja sempre em benefício das pessoas, mas nem sempre funciona assim no mundo real.

Um exemplo é a crise do subprime, em 2008. Para estimular que tivessem casas, o governo americano incentivou empréstimos para as pessoas mais pobres. A ideia era beneficiar quem tem uma vida financeira modesta, mas estável, e, por alguma razão, não podia comprar um imóvel. A partir do incentivo, o setor financeiro criou uma complicada rede de empréstimos, financiando pessoas sem a menor condição de pagar. 

Mesmo sabendo que estava emprestando a pessoas com um histórico de crédito problemático,o setor financeiro nos Estados Unidos, ocupado por pessoas inteligentes, continuou bombeando dinheiro. Certamente, não queriam quebrar o sistema financeiro, como fizeram.

Como algumas pessoas, que só poderiam pagar por imóveis mais baratos, aceitaram arriscar tudo em um que não poderiam pagar no primeiro contratempo?

Boa parte da explicação está no efeito que alguns incentivos produzem sobre o comportamento das pessoas. Além do estímulo para a compra, havia outro, na forma de bônus e ações, para os gestores que financiavam o subprime. E nada acalma mais a racionalidade do que uma boa quantia em dinheiro, já dizia Warren Buffett em uma de suas frases mais mordazes.

No caso de investidores, a motivação extrínseca se dá numa forma familiar – o lucro. A possibilidade de ganhar muito e rápido tem atraído investidores para o mercado financeiro há vários séculos, mas um estudo finlandês de 2019 sugere que outras motivações também entram em campo.

Através de uma série de estudos anteriores, o trabalho, conduzido pela pesquisadora Anna Lukkarinen e os colegas Jyrki Wallenius e Tomi Seppälä, todos da Universidade Aalto, examina o comportamento dos investidores em equity crowdfunding, uma forma de investimento relativamente nova, que oferece a possibilidade de investir em startups e outras empresas em expansão.

Existe a possibilidade de lucros maiores se a empresa começa a crescer a se valorizar. É a motivação que leva muitos investidores-anjo a comprar uma parte dela antes de ser listada na Bolsa.

Porém, investidores também disseram desfrutar da participação no negócio. Obter satisfação pessoal, fazer parte do processo de crescimento da empresa ou a oportunidade de ser mentor ou apoiar empreendedores. Acima de tudo, a busca por reconhecimento.

É claro que no mercado de ações com milhões de decisões individuais sendo tomadas todos os dias é outro assunto. Mas, tanto motivações intrínsecas como extrínsecas, agem sobre os investidores. Por exemplo, dicas de analistas ou relatórios (extrínseca) ou a preferência por empresas que seguem a agenda ESG (intrínseca). O ideal é que um investimento siga ambas. Atingindo objetivos que melhoram a sociedade, mas com lucro.

*Samy Dana é Ph.D em Business, apresentador do Cafeína/InvestNews no YouTube e comentarista econômico.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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