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O Brasil no caminho para ser uma ‘startup nation’

Para debater o assunto no InvestNews, convidei para a minha coluna Rodrigo Monteiro, o general manager do OurCrowd Brazil.

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Não há dúvidas de que 2020 foi o ano das empresas digitais, em grande parte puxado pelo comércio eletrônico, pelas empresas de entrega, pelos marketplaces e pelas startups de saúde, como as de telemedicina, por exemplo. Por isso, nunca foi tão importante o papel dos investidores para o crescimento e consolidação do ecossistema de startups.

Eu já ouvi de muitos investidores estrangeiros que o capital anjo é, provavelmente, o mais importante para o ecossistema, porque é ele com ele que se inicia a jornada e dá chance aos fundadores de provarem seu modelo de negócios. Se os investidores decidem focar somente no venture capital – ou capital mais alto – e deixam de fazer o investimento anjo, o ecossistema não sobrevive.

Para debater sobre investimento em startups e ecossistemas de inovação, convidei para a minha coluna aqui no InvestNews Rodrigo Monteiro, o general manager do OurCrowd Brazil. OurCrowd é uma das plataformas de venture capital mais importantes do mundo, com sede em Jerusalém e atuação em 5 continentes, além de números impressionantes. São mais de 50.000 investidores, de mais de 65 países, com mais de 220 empresas investidas.

Um dos “exits” mais emblemáticos do OurCrowd foi o da produtora de carnes a base de plantas Beyond Meat (NASDAQ:BYND), considerado o melhor IPO da NASDAQ de 2019.

Mas antes vale voltar alguns passos atrás e falar sobre Israel. Quando os autores israelenses Dan Senor e Saul Singer escreveram o best-seller “Startup Nation”, em 2009, Israel passou a ser vista como um dos polos mais importantes de inovação e tecnologia do mundo, com um ecossistema vibrante e muitos unicórnios, ou decacórnios, por valerem mais que US$ 10 bilhões, como Waze, Check Point, NICE e Mobileye.

Começo meu papo com Rodrigo Monteiro perguntando sobre a importância do investimento anjo e sobre o momento que vive o OurCrowd.

Rodrigo comenta que o investimento anjo é importante pelo dinheiro para que a startup comece a desenvolver seu modelo de negócios, mas, mais ainda, pelo capital intelectual dos investidores com experiência de gestão, contatos e visão de mercado, como se costuma chamar de “smart money”.

Rodrigo conta que o OurCrowd está mais focado no investimento “série A”, que vem após os investimentos anjo e semente, com empresas que já testaram seus produtos ou soluções e já possuem faturamento. Atualmente, o OurCrowd possui mais de US$ 1 bilhão sob gestão, com mais predominância na geografia do Oriente, porém, com planos audaciosos de expansão para o Ocidente, sendo o Brasil um dos destinos de destaque e com foco para aumentar seu dealflow.

Um fator que faz o OurCrowd se tornar ainda mais especial e visível aos olhos do mundo todo está na figura carismática de seu CEO e fundador, Jon Medved, um dos nomes mais importantes da inovação em Israel. Jon nasceu nos Estados Unidos, formou-se em Berkeley, na Califórnia, e mudou-se logo depois para Jerusalém. Lá, foi sócio do Israel Seed Partners, um venture capital focado em investimento early-stage e, com isso, ganhou muita experiência na análise de modelos de negócios inovadores de startups.

Rodrigo afirma que Jon Medved passou a ser o grande porta-voz da inovação de Israel para o mundo e que o papel dele tem sido fundamental para o desenvolvimento do ecossistema de seu país. Ele ainda diz que Jon o inspira a seguir em busca do que vai acontecer no futuro e sempre pensar no que pode ser inovador amanhã.

Rodrigo Monteiro/@John Melved
“Jon Medved passou a ser o grande porta-voz da inovação de Israel para o mundo e que o papel dele tem sido fundamental para o desenvolvimento do ecossistema de seu país” afirma Rodrigo Monteiro.

Mas como o Brasil pode aprender com esse ecossistema vibrante de Israel? Será que o Brasil pode se tornar uma “Startup Nation”? Rodrigo mostra dados que colocam Israel no topo dos países que mais investem em pesquisa, com 4,7% de seu PIB. Os Estados Unidos vêm atrás com 2,7% e a Europa, com 2,1%. Ele ressalta que se o país investir em educação e em pesquisa, os caminhos se abrem para se tornar um ecossistema de inovação.

Mas, no caso do Brasil, Rodrigo mostra que as dimensões continentais do nosso país impossibilitam qualquer comparação com Israel, pois trata-se de um país com o tamanho de Sergipe. Para ele, São Paulo pode ser considerado um ecossistema que já decolou e apresenta solidez. Nos rankings que mostram as principais cidades do mundo que lideram a inovação, São Paulo já figura entre as 30 primeiras e se olharmos somente o ecossistema de fintechs, São Paulo já fica entre as cinco.

Por que vale a pena investir em ecossistemas de inovação fora do Brasil?

Decido colocar Rodrigo contra a parede e perguntar se ele acha que as startups tiveram um papel pequeno na busca da vacina do covid-19. Ele afirma que sim, porque ainda não há uma fragmentação de soluções específicas com custos mais baixos para interferir na cadeia de produção e desenvolvimento das grandes farmacêuticas que dominam o mundo e isso faz com que as startups fiquem de fora do cenário global.

Rodrigo se mostra otimista e afirma que esse contexto deve mudar nos próximos anos e as startups terão cada vez mais participação nas soluções que poderão resolver os grandes problemas da humanidade, com empresas menores e mais enxutas dominando segmentos e passando as companhias mais tradicionais. Um exemplo citado por Rodrigo é a tecnologia CRISPR que é, basicamente, a edição do DNA e possibilita abaixar os custos de pesquisas, dando espaço a novos entrantes. Mas, infelizmente, não foi nessa pandemia que vimos uma notícia surpreendente de uma startup revolucionando algo inédito.

Mas e se Rodrigo tivesse que escolher uma startup que faz parte do ecossistema do OurCrowd, qual ele escolheria? Rodrigo não pensa nem um segundo e cita a Lemonade (NYSE:LMND), um dos melhores IPOs de 2020, da empresa que revolucionou o setor de seguros, fundada em Nova York pelo israelense Daniel Schreiber, que usa inteligência artificial e algoritmos de big data para otimizar os processos de compras de seguros e ações. Além disso, a companhia garante minimizar a volatilidade e maximizar a confiança e o impacto social. Rodrigo diz que mesmo com o mercado reconhecendo que a Lemonade reinventou o setor de seguros, ainda tem muito por vir e que, até agora, só mostraram a ponta do iceberg.

A verdade é que para o Brasil construir, de fato, um ecossistema de inovação reconhecido mundialmente, precisamos unir as forças do governo, das empresas e da sociedade. Lições de sucesso estão ao nosso alcance, como o caso de Israel, do Vale do Silício, da China.

O ano de 2020, aqui no Brasil, mostrou que o mercado de startups e empresas inovadoras entraram no radar de todos os principais investidores e vem crescendo a passos largos. Com a nossa criatividade, a nossa resiliência e as oportunidades que existem, eu estou seguro que muito em breve o Brasil passe a ocupar o lugar de Startup Nation. Você tem alguma dúvida?

PS: Abaixo, as startups que fazem parte do ecossistema do OurCrowd que eu citei na minha pergunta no vídeo. Boa pesquisa!

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