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Primeira Marcha

Os carros populares no Brasil vão acabar?

Legislações de segurança e emissões mais rígidas e mudança no comportamento do público estão acabando com modelos de entrada.

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Renault Kwid. Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Renault

Carro nunca foi algo barato ou acessível no Brasil. E, infelizmente, a tendência é que os carros considerados “populares” sejam cada vez mais raros.

Hoje, só existem dois modelos que podem ser chamados de populares: Fiat Mobi e Renault Kwid. Eles são vendidos a partir de R$ 42 mil, cada.

Fiat Mobi (Foto: Divulgação)

Nessas versões mais baratas, são os únicos carros novos do Brasil que não têm ar-condicionado, direção elétrica ou hidráulica, vidros ou travas elétricos.

Depois deles, todos os outros carros zero km já custam mais de R$ 50 mil e têm os equipamentos citados no parágrafo anterior.

Mortes anunciadas

Um conjunto de fatores explica o desaparecimento dos carros populares.

O primeiro deles é a constante evolução da tecnologia e das legislações de segurança e emissões de poluentes.

Carros populares têm projetos simples de engenharia, e nem sempre podem receber itens de segurança mais tecnológicos.

Fiat Uno Mille (Foto: Divulgação)

Um exemplo é o Fiat Uno Mille, desenvolvido na década de 1980. Sua produção foi encerrada no final de 2013. O motivo? O projeto do Uno não suportava receber airbags frontais e freios ABS, itens que seriam obrigatórios em carros novos a partir de janeiro de 2014.

Outra consequência do avanço tecnológico é o aumento nos custos de produção.

É cada vez mais difícil para as montadoras oferecerem carros a preços populares. E isso vale não só para o Brasil, mas em todos os mercados em que as regras ficam mais rígidas e os carros mais tecnológicos.

Ter custos elevados para fazer carros com preço de venda mais baixo também quer dizer menor margem de lucro. No atual cenário de extrema competitividade na indústria, é mais lucrativo para as empresas fazer modelos mais caros e rentáveis.

Por fim, também podemos observar uma mudança no comportamento do público.

Para o consumidor brasileiro, o carro ideal é o mais espaçoso possível, com maior porta-malas, motor mais potente (e econômico ao mesmo tempo) e com todos os equipamentos a que tem direito. Pelo menor preço.

A brincadeira serve perfeitamente para ilustrar quão exigente é o consumidor. Reflexo disso é que alguns itens antes considerados “mordomias” aos poucos se tornaram indispensáveis.

É o casso da direção hidráulica (depois elétrica) e do ar-condicionado. Carroceria com duas portas? Nem pensar.  

Assim, os carros populares de hoje são tão equipados quanto modelos maiores de 10, 15 anos atrás.

A conclusão é que o termo “popular” só deve ser usado no futuro como referência à popularidade, sucesso nas vendas. E não como sinônimo de preços acessíveis.

História do carro popular não é nova

Desde a década de 1960 há esforços por parte dos governos e/ou da indústria para oferecer modelos com preços um pouco mais populares.

Seis décadas atrás, o governo militar da época buscou incentivar as vendas criando uma linha de crédito na Caixa Econômica Federal para financiar a compra de veículos. O único requisito era que os preços deveriam ser consideravelmente baixos.

A solução encontrada pelas montadoras para esse desafio foi tirar tudo que não era essencial em alguns modelos.

No caso do Fusca, que ganhou o apelido de “pé de boi”, não sobraram nem marcador de combustível e espelho retrovisor, que não eram itens obrigatórios naquela época.

A lista das ausências ainda incluía iluminação na cabine, tampa do porta-luvas, rebatimento dos bancos dianteiros e qualquer acabamento cromado. Para baratear os custos, só duas opções de pintura: cinza claro ou azul.

Dessa mesma época, também surgiu o Renault “Teimoso”, ainda mais simples. Os bancos só traziam estofamento parcial, deixando toda a armação de metal à mostra. Forros das portas e do teto foram removidos e só havia uma lanterna traseira, instalada em posição central.

A iniciativa do governo não foi adiante, e hoje esses modelos são verdadeiras raridades.

Quase 3 décadas depois, em 1990, novamente o governo buscou incentivar os carros populares. Dessa vez, aqueles carros que tivessem motor de até 1.000 cm³ (o famoso 1.0) pagariam 50% menos IPI (imposto sobre produtos industrializados).

Assim, a Fiat correu para reduzir o volume de seu motor de 1.050 cm³ para 999 cm³ e lançou o Uno Mille. Foi um verdadeiro sucesso de vendas.

Esse caminho foi seguido por outras fabricantes, e logo surgiram Volkswagen Gol 1000, Ford Escort Hobby e Chevrolet Chevette Junior, todos empurrados por motores 1.0.

Carro 1.0 virou sinônimo de popular, e permitiu que muita gente pudesse se locomover com um pouco mais de conforto.

E foi assim até o início da década de 2010, quando praticamente todas as grandes fabricantes do país tinham modelos de entrada e a maioria dos carros vendidos no país eram populares.

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