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Cadê os investidores do Agro sustentável?

Apesar de o agronegócio representar parcela expressiva do PIB brasileiro, falta financiamento de projetos sustentáveis no setor.

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Pessoa segura saco de pano tendo ao fundo campo de colheita

Responsável por 27,4% do PIB nacional em 2021, o agronegócio também está querendo se tornar sustentável. No entanto, o problema para os empresários é a falta de financiamento dos projetos. E em meio à abundância de fundos de investimento que miram florestas e teses climáticas, por que não investir no agro também?

Na semana passada, fiquei na plateia de um dos maiores eventos do setor. Para vocês terem ideia da importância dessa atividade econômica para o Brasil, o presidente e três dos principais ministros da Casa Civil, da Fazenda e da Agricultura, participaram da cerimônia de abertura.

O principal tema do Fórum era a superação do desafio de alimentar o mundo de forma sustentável, onde questões climáticas e de gestão de resíduos se misturaram a outros temas como, por exemplo, as melhores formas de utilizar e preservar os recursos naturais da água e do solo.

Fui com a expectativa de presenciar palestras que me mostrassem que as empresas estavam em busca de retornos de investimentos robustos de seus projetos sustentáveis, através por exemplo, da rentabilidade trazida pela geração de créditos sustentáveis ou mesmo de financiamentos e empréstimos verdes para novos projetos que envolvessem também aspectos sociais.

Mas o que vi foram diversas palestras e debates em que empresários e executivos de grandes empresas reclamavam por não possuir apoio para realizar tais projetos. Tudo era feito com capital próprio, apesar dos custos elevados, e sem retorno do investimento no curto ou médio prazo.

Em um dos painéis sobre as oportunidades de reaproveitamento e redução de resíduos na cadeia produtiva agrícola através de técnicas agrícolas eficientes, o diretor da Pepsico disse algo que me causou estranheza: apesar da robustez dos projetos, das oportunidades de negócios e do tamanho do mercado, falta financiamento para projetos ESG no agronegócio. E ainda completou dizendo que na COP 26 – Conferência das Nações Unidas ocorrida em 2021 – não houve debate sobre o assunto e que, por isso, protocolou uma carta para os organizadores da COP 27 pedindo para que o financiamento de projetos sustentáveis no agronegócio fosse um dos temas do evento.

Fiquei pensando sobre isso e resolvi pesquisar. Comecei verificando quantas empresas do setor de agronegócios participam do Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3. Selecionei esse índice por representar uma forte referência em opções de investimentos socialmente responsáveis. 

Me deparei com um número reduzido: de 46 ações de empresas pertencentes a 27 setores, apenas duas eram do setor agropecuário: a Marfrig (MRFG3) e a Minerva (BEEF3). Ou seja, poucas conseguem estar no grupo seleto que investe em projetos ESG.

Depois, examinei a lista de emissão de títulos de dívidas corporativos sustentáveis emitidos por empresas brasileiras, entre 2015 e 2021. Constatei que de um total de 197 emissões, apenas 14 foram para financiar atividades do agronegócio, incluindo empresas do setor de alimentos que acabam por gerar investimentos diretos na sua cadeia produtiva.

A maior emissão foi justamente desse setor, a M.Dias Branco, em 2021, com uma captação de R$ 811,6 milhões por meio de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) verdes para incentivar a agricultura sustentável dos fornecedores da empresa. 

O que isso tudo pode nos contar é que mesmo com a robustez do agronegócio, sua representatividade para o mundo, e com as diversas oportunidades de ESG advindas, ainda há um longo caminho para que os investidores consigam compreender que investir em projetos sustentáveis nesse setor gera não só um retorno certo para o seu bolso, mas principalmente, um retorno social altíssimo para o mundo.

*Alexandre Furtado é Presidente do Comitê de Informações ESG da Fundação Getúlio Vargas, Sócio e Diretor de ESG da Grant Thornton.

As informações desta coluna são de inteira responsabilidade do autor e não do InvestNews e das instituições com as quais ele possui ligação. 

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