A proposta é liberar na faixa de 300 milhões a 400 milhões de barris, disse a fonte, que pediu anonimato por discutir deliberações privadas. A agência, com sede em Paris, coordena a liberação de estoques para os países da OCDE.
Os governos buscam conter a disparada dos preços da energia, provocada pela guerra no Oriente Médio. O petróleo teve forte alta para quase US$ 120 o barril em Londres na segunda-feira (9), enquanto os fluxos pelo Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, permaneciam praticamente interrompidos, embora os contratos futuros tenham recuado significativamente desde então — em parte devido às expectativas de que os governos recorreriam às suas reservas de petróleo.
Uma reunião dos líderes do G-7 na quarta-feira vai discutir a liberação dos estoques, disse o ministro das Finanças francês, Roland Lescure. Os sete países afirmaram que apoiam, em princípio, “medidas proativas”, incluindo a liberação de reservas estratégicas, mas não divulgaram detalhes sobre a escala de uma possível intervenção.
A AIE não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A medida em análise superaria os 182 milhões de barris que os membros da AIE colocaram no mercado em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia. O Wall Street Journal havia noticiado anteriormente planos para uma intervenção recorde.
A AIE disse que seus 32 membros detêm mais de 1,2 bilhão de barris em estoques públicos de emergência, incluindo o maior deles, a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA. Eles possuem ainda 600 milhões de barris em estoques da indústria mantidos por obrigação governamental.
Cortes na produção
A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Iraque estão entre os produtores que aprofundam os cortes na oferta de petróleo, reduzindo cerca de 6% da produção global, já que a interrupção do transporte pelo Estreito de Ormuz faz com que os tanques de armazenamento da região se encham. Os Emirados Árabes Unidos também interromperam as operações em sua maior refinaria, a Ruwais, na terça-feira, como precaução após um ataque com drone na área.
Alguns operadores e analistas duvidam que os governos consumidores consigam acessar os estoques com rapidez suficiente para suprir a enorme lacuna de oferta.
Mesmo que a taxa máxima de liberação da reserva estratégica dos EUA seja combinada com fluxos de outros membros da AIE, isso poderia cobrir apenas uma porção dos 11 milhões a 16 milhões de barris de oferta do Golfo Pérsico que o Citigroup estima estarem sendo perdidos diariamente.
A capacidade máxima de retirada da reserva estratégica dos EUA é de 4,4 milhões de barris por dia, de acordo com o site do Departamento de Energia americano, e leva 13 dias para que o petróleo chegue ao mercado aberto após uma decisão presidencial.
A AIE já ajudou a implementar cinco intervenções desse tipo: na preparação para a Guerra do Golfo de 1991, após os furacões Rita e Katrina em 2005, após o início da guerra civil na Líbia em 2011, e duas vezes em 2022, em resposta às perturbações relacionadas à guerra na Ucrânia.