A despeito dos bons números, o superávit da balança comercial brasileira para 2025 foi de US$ 68,3 bilhões, um recuo de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo positivo foi de US$ 74,2 bilhões. Os números são da Secretaria de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Veja abaixo os principais destaques:
Exportações
O avanço no ano ocorreu apesar do período de tarifas de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, incluindo itens essenciais como carne bovina e café, numa tentativa de Donald Trump de pressionar o Brasil a suspender os processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Com isso, o Brasil viu a representatividade dos EUA diminuir nas exportações: o share caiu de 12% para 10,8% na passagem anual.
Na agropecuária, os destaques foram para a soja, que movimentou US$ 43,53 bilhões, um crescimento de 1,4% em relação ao desempenho de 2024; e o café torrado, com volume de US$ 14,86 bilhões, alta de 31,1%.
Na indústria extrativa, o principal destaque foi a exportação de petróleo, que representou uma receita de US$ 44,7 bilhões, aproximadamente, uma variação negativa de 0,7% na passagem anual. Já as exportações do minério de ferro atingiram um volume de receita de US$ 28,9 bilhões, queda de 3% em relação ao desempenho de 2024. O segmento de minérios de cobre, por outro lado, registrou uma variação positiva de 20,5%, na mesma base de comparação, para US$ 5 bilhões.
Mesmo com o tarifaço, a carne bovina foi um dos principais destaques da indústria da transformação, com variação positiva de 42,5%. O valor acumulado para as exportações no ano foi de US$ 16,6 bilhões. A participação do item essencial nas exportações brasileiras passou de 3,5% para 4,8% na passagem anual.
Outro destaque, dentro desse segmento, foi a venda de aeronaves, que movimentou US$ 4,9 bilhões em 2025, um avanço de 12,1% em relação ao ano anterior. Os avanços se deram, sobretudo, pelo bom desempenho da Embraer no ano. A empresa anunciou uma alta de 18% nas entregas de aeronaves em 2025, com 244 aviões entregues, número que a colocou na frente de concorrentes do setor.
A escalada do ouro em um período de instabilidade na economia global também foi destaque. A exportação do metal raro pelo Brasil atingiu uma receita de US$ 6,6 bilhões.
Importações
Nas importações, os únicos segmentos que registraram volume superior a US$ 10 bilhões estão ligados à indústria da transformação. Nesse recorte, o principal destaque para a balança comercial do país foram os combustíveis (US$ 15,5 bilhões), com crescimento de 2,3% frente ao ano anterior. Os fertilizantes, na sequência, representaram 5,5% do volume importado pelos brasileiros, movimentando aproximadamente US$ 15,5 bilhões.

