Com dados até novembro, os economistas estimam que 94% do custo das tarifas foi repassado ao mercado doméstico nos primeiros oito meses do ano. Mesmo após algum ajuste nos preços externos, o repasse ainda era de 86% no fim do período.
Na prática, uma tarifa de 10% levou a uma queda de apenas 0,6 ponto percentual nos preços cobrados por exportadores estrangeiros, segundo os autores do estudo. Ou seja: a maior parte da conta ficou dentro dos EUA.
O salto veio após 2 de abril, data que o presidente Donald Trump chamou de “Dia da Libertação”, quando anunciou novas tarifas amplas sobre importações. A alíquota média americana subiu de 2,6% para 13%, com pico em abril e maio devido a aumentos temporários sobre produtos chineses.
Mesmo com exceções e mudanças nas cadeias de suprimento, o custo continuou concentrado nos EUA. O estudo aponta que as tarifas aceleraram o deslocamento da produção para países como México e Vietnã, reduzindo a dependência da China.
Para chegar aos números, os pesquisadores analisaram dados mensais de comércio exterior e compararam a variação dos preços de exportação com a evolução das tarifas, isolando o efeito direto dos impostos sobre os preços.