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Traders de petróleo e refinarias dos Estados Unidos correm para se posicionar para o acesso ao petróleo bruto venezuelano depois que o governo Trump disse que assumiria o controle de até 50 milhões de barris, um dos maiores fluxos inesperados de oferta em anos.

A estratégia dos EUA — anunciada inicialmente pelo presidente Donald Trump em uma postagem nas redes sociais na noite de terça-feira, com mais detalhes divulgados na na quarta-feira (7) pelo secretário de Energia americano, Chris Wright, — coloca o governo federal diretamente envolvido no mercado internacional de petróleo e promete revitalizar o fluxo de petróleo bruto venezuelano para refinarias americanas após anos de sanções.

O retorno dos barris venezuelanos aos compradores dos EUA pode marcar uma das mudanças mais significativas nos mercados globais de energia nos últimos anos. Isso já fez com que os preços do petróleo canadense despencassem e pesou sobre os contratos futuros de referência para o produto. O país detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua produção caiu para menos de 1 milhão de barris por dia após décadas de subinvestimento, sanções comerciais e isolamento econômico.

“É bastante extraordinário que os Estados Unidos passem a controlar as vendas de petróleo da Venezuela indefinidamente”, disse Carolyn Kissane, vice-reitora do Centro de Assuntos Globais da Universidade de Nova York, onde leciona sobre energia e mudanças climáticas.

Em entrevista ao New York Times, publicada nesta quinta-feira, Trump afirmou que os EUA administrariam a Venezuela e extrairiam seu petróleo por anos. “Vamos reconstruí-lo de uma forma muito lucrativa”, disse ao jornal.

As medidas dos EUA têm levado a uma onda de interesse de participantes que estavam à margem, bem como de alguns poucos que conseguiram continuar operando na Venezuela. 

A Citgo Petroleum, empresa de refino dos EUA indiretamente controlada pela Venezuela, considera retomar as compras pela primeira vez desde que as sanções americanas interromperam seu fornecimento em 2019. A gigante trading Trafigura Group e outras empresas manterão conversas com o governo dos EUA sobre como podem voltar a comprar petróleo bruto da Venezuela e a fornecer combustível ao país, disse o chefe global da divisão de petróleo da empresa.

O potencial acesso ao petróleo venezuelano também ajudou a impulsionar as ações das gigantes refinadoras americanas. A Valero Energy subiu mais de 5% intradiariamente até uma máxima histórica. A grande petrolífera Chevron também está em negociações com os EUA para estender a licença especial da produtora de petróleo bruto para operar na Venezuela.

Enquanto as principais empresas petrolíferas dos EUA devem se reunir com Trump na Casa Branca nos próximos dias, várias empresas de perfuração ainda provavelmente estarão receosas quanto a um retorno ou entrada rápida na Venezuela sem garantias e clareza sobre o cenário político e jurídico, disseram analistas.

“Tenho muita dificuldade em acreditar que as empresas estejam dispostas a assumir os altíssimos níveis de risco associados a ir além das operações offshore”, disse Kissane.

Ainda assim, as medidas tomadas nesta semana pelo governo Trump mostram que a agenda de domínio energético dos EUA inclui, pelo menos em parte, a intervenção direta nos mercados globais de petróleo.

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“O governo dos Estados Unidos começou a comercializar petróleo bruto venezuelano no mercado global”, disse o Departamento de Energia em um informativo na quarta-feira. “Engajamos os principais comercializadores de commodities do mundo e bancos importantes para executar e fornecer suporte financeiro para essas vendas de petróleo bruto e derivados.”