Os Estados Unidos e o Irã receberam a estrutura de uma proposta de paz para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, com um prazo imposto por Washington se aproximando, embora Teerã tenha rejeitado de imediato a reabertura do Estreito de Ormuz como condição para um cessar-fogo temporário. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters nesta segunda-feira (6).

O plano prevê uma abordagem em duas fases, com uma trégua imediata seguida por um acordo mais amplo a ser concluído em 15 a 20 dias. As negociações envolveram interlocução de alto nível, com o chefe do Exército do Paquistão, marechal Asim Munir, mantendo contato ao longo da noite com autoridades dos dois lados, incluindo o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araqchi.

Apesar do avanço nas tratativas, um alto funcionário iraniano indicou que o país não aceitará prazos enquanto avalia a proposta e não vê disposição de Washington para um cessar-fogo permanente. Teerã também rejeitou qualquer movimento imediato para reabrir o Estreito de Ormuz, um ponto central das negociações.

No fim de semana, o presidente americano Donald Trump voltou a adotar um tom agressivo e ameaçou desencadear o “inferno” sobre o Irã caso não haja um acordo até o fim de terça-feira que permita a retomada do tráfego pela rota marítima, por onde passava cerca de 20% da produção global de petróleo.

Diante desse cenário, os mercados globais ensaiaram recuperação, ainda que com cautela. Os futuros do S&P 500 avançaram 0,3% e os do Nasdaq 100 subiram 0,5%, em negociações marcadas por baixa liquidez após o feriado de Páscoa e com parte dos mercados internacionais ainda fechados. O dólar perdeu força, enquanto os rendimentos dos Treasuries de dez anos permaneceram próximos de 4,34%, refletindo a postura defensiva dos investidores diante de um ambiente altamente sensível a notícias.

No mercado de commodities, o petróleo operava em queda nesta segunda-feira, em uma sessão volátil na qual os preços chegaram a girar em torno de US$ 110 por barril. Há pouco, o WTI para maio recuava 1,11%, a US$ 110,30, enquanto o Brent para junho caía 0,53%, a US$ 108,45. O movimento reflete a leitura de que um eventual cessar-fogo poderia aliviar riscos de oferta, embora a incerteza sobre a efetiva reabertura de Ormuz limite quedas mais acentuadas. Já o ouro avançava levemente, sustentado pela busca por proteção em meio às tensões geopolíticas e aos riscos inflacionários.

Ainda assim, analistas avaliam que a combinação de esforços diplomáticos com ameaças de escalada mantém os mercados sem uma direção clara. Investidores seguem reagindo a manchetes, enquanto a ausência de um acordo concreto reduz a convicção sobre uma melhora mais consistente no cenário macroeconômico e financeiro.

Estreito de Ormuz

Nesse contexto, o Estreito de Ormuz voltou ao centro das atenções, com o tráfego marítimo atingindo o maior nível em semanas. Ao todo, 21 embarcações cruzaram a rota ao longo do fim de semana, à medida que países intensificam negociações com o Irã para garantir a passagem segura de navios, cargas e tripulações pelo Golfo Pérsico. Desses navios, 13 seguiram em direção ao Mar da Arábia, indicando uma retomada gradual das operações.

Apesar disso, o fluxo ainda está bem abaixo dos níveis observados antes da guerra, quando cerca de 135 navios transitavam diariamente pelo estreito. Navios iranianos continuam predominando, mas há participação crescente de embarcações ligadas a países como Iraque, Índia, China e Japão, muitas vezes sob acordos específicos com Teerã. Ao mesmo tempo, o Irã avança na consolidação de seu controle sobre a rota, inclusive com discussões sobre a formalização de taxas de passagem.

A dinâmica reforça que, embora haja sinais de normalização parcial, a circulação no Estreito de Ormuz permanece altamente condicionada às decisões iranianas. Assim, qualquer escalada no conflito pode interromper novamente o tráfego, pressionar os preços de energia e reverter rapidamente o alívio observado nos mercados financeiros.