O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, podem estender a trégua comercial por até um ano quando se reunirem em Pequim, em abril, informou o South China Morning Post, citando diversas pessoas não identificadas familiarizadas com as discussões. Segundo o jornal, a cúpula deve ser centrada em ganhos econômicos de curto prazo, incluindo novos compromissos de compra por parte da China.
O acordo fechado entre os dois países no fim do ano passado levou a China a voltar ao mercado para comprar soja americana, após meses evitando aquisições da safra dos EUA. Uma eventual extensão poderia reforçar esse movimento, depois que Trump afirmou recentemente, em uma rede social, que a China estaria considerando ampliar suas compras de soja para 20 milhões de toneladas na temporada atual.
Os contratos futuros da soja chegaram a subir até 1,5% nesta quinta-feira, alcançando o maior nível para o contrato mais negociado desde 18 de novembro e registrando o terceiro dia consecutivo de alta.
Soja brasileira
Alguns traders, no entanto, permanecem céticos quanto a um aumento imediato das compras chinesas de soja americana, já que o produto dos EUA está mais caro do que o de origens concorrentes, como o Brasil, afirmou Joe Davis, diretor da corretora Futures International, em Illinois. Ainda assim, compras contínuas por boa vontade diplomática poderiam impulsionar os preços da soja e de derivados, como o farelo, disse ele em entrevista.
No fim de janeiro, a China já havia intensificado as aquisições da safra brasileira, aproveitando a vantagem de preço em relação ao produto americano após cumprir a primeira rodada de compromissos com Washington. A diferença de valores foi ampliada pela oferta abundante da nova colheita no Brasil, que entra no mercado justamente no primeiro semestre, período de maior disponibilidade logística nos portos do país.
Além disso, o prêmio pago pela soja brasileira nos portos — referência para exportação — permaneceu mais competitivo do que o produto americano no Golfo do México, reforçando o apelo do Brasil para esmagadores chineses preocupados com margens. O real relativamente mais fraco frente ao dólar também contribuiu para tornar o grão brasileiro mais atraente no mercado internacional.
O movimento reforça o papel do Brasil como principal fornecedor da China no início do ano comercial e evidencia que, mesmo em um cenário de distensão entre Washington e Pequim, fatores de preço e competitividade continuam determinantes nas decisões de compra.