O crescimento da demanda está acelerando justamente quando a oferta das minas enfrenta limites estruturais, elevando o risco de que o cobre se torne um gargalo para o crescimento econômico e para a expansão tecnológica, escreveu a S&P Global em um relatório apoiado pela indústria de mineração, divulgado nesta quinta-feira (8).
O cobre disparou para máximas recordes, acima de US$ 13 mil por tonelada em Londres, impulsionado por uma série de paralisações em minas e por movimentos de estocagem do metal nos Estados Unidos, antes de possíveis tarifas do governo Trump. Embora o fluxo de cobre para os armazéns nos EUA tenha levado os preços acima dos níveis sugeridos pelo consumo subjacente, novas áreas de demanda sinalizam um mercado ainda mais apertado no longo prazo.
“A IA e os data centers nem sequer estavam no radar há três anos”, disse em entrevista Aurian De La Noue, chefe de consultoria em transição energética e metais críticos da S&P Global. “O que este estudo mostra é que o mundo está caminhando para um déficit de oferta mesmo antes de considerar estes novos vetores de crescimento”.
O cenário-base da S&P Global é de que a demanda por cobre aumente 50% em relação aos níveis atuais, para 42 milhões de toneladas até 2040. Embora as fontes tradicionais, como construção, eletrodomésticos, transporte e geração de energia, continuem a representar a maior parte da demanda por cobre, a maior parcela do crescimento virá de usos relacionados à transição energética, incluindo veículos elétricos e baterias.
Novas fontes de demanda também estão ganhando escala. O consumo de cobre ligado a data centers e infraestrutura de inteligência artificial deve disparar, visto que a capacidade instalada global de data centers quase quadruplicará até 2040. A demanda por IA, data centers e despesas globais com defesa pode praticamente triplicar até 2040, adicionando, em conjunto, 4 milhões de toneladas de consumo, constatou o estudo.
A S&P Global também identificou outra possível fonte de demanda: robôs humanoides. Embora a tecnologia esteja em estágios iniciais, 1 bilhão de robôs humanoides em operação até 2040 significariam a necessidade de cerca de 1,6 milhão de toneladas de cobre por ano, ou cerca de 6% do consumo atual, de acordo com o estudo.
Mas é esperado que a produção mundial atinja o pico de cerca de 33 milhões de toneladas em 2030, à medida que a qualidade do minério se deteriora nas minas existentes e novos projetos enfrentam obstáculos de licenciamento, financiamento e construção.
Isso deixaria uma lacuna de 10 milhões de toneladas, aponta o estudo, mesmo após considerar um aumento acentuado do cobre reciclado, que deverá mais que dobrar para 10 milhões de toneladas ao longo do período.
Certamente, esse déficit de oferta é em grande parte hipotético, com o consumo limitado ao que estiver disponível. À medida que os preços sobem, o cobre poderia ser substituído em alguns produtos e projetos de expansão do fornecimento poderiam se tornar mais lucrativos.
O desafio da oferta é agravado pelos longos prazos de desenvolvimento, custos crescentes e uma cadeia de suprimentos altamente concentrada, o que torna o mercado cada vez mais vulnerável a interrupções, à medida que a demanda acelera, escreveu a S&P.