Em uma decisão amplamente prevista, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) decidiu por 11 votos a favor em 12 possíveis para manter a taxa na faixa de 3,5% a 3,75%. Essa taxa define o custo do dinheiro entre os bancos e influencia uma ampla gama de empréstimos para consumidores e empresas.
No comunicado pós-reunião, o Fed apresentou poucas alterações em sua visão sobre a economia, projetando um ritmo ligeiramente mais rápido de crescimento e inflação mais alta para 2026.
Apesar da incerteza elevada, os integrantes do comitê sinalizaram que ainda esperam alguns cortes de juros no futuro.
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Dos 19 participantes do FOMC, sete acreditam que as taxas permanecerão estáveis neste ano, um a mais que na última atualização de dezembro.
Para os anos seguintes, as previsões são menos consensuais, mas a mediana indica mais um corte em 2027, antes que a taxa se estabilize em torno de 3,1% no longo prazo.
Guerra do Irã
O comunicado destacou também a incerteza causada pela guerra dos Estados Unidos com o Irã, iniciada há quase três semanas. O conflito e seu impacto no Estreito de Hormuz afetaram os mercados globais de petróleo, pressionando a inflação acima da meta de 2% do Fed.
“Os impactos dos acontecimentos no Oriente Médio sobre a economia dos EUA são incertos”, disse o Fed.
O governador (diretor) Stephen Miran discordou da decisão, defendendo um corte de 0,25 ponto percentual diante de preocupações com o mercado de trabalho. O governador Christopher Waller, que em janeiro também apoiou um corte, votou desta vez pela manutenção da taxa.
Antes do conflito, o mercado precificava dois cortes de juros em 2026, com pequena chance de um terceiro. O aumento dos preços do petróleo e leituras firmes da inflação reduziram a expectativa para no máximo um corte neste ano.
Nas novas projeções econômicas, o Fed prevê crescimento do PIB de 2,4% em 2026, ligeiramente acima da estimativa de dezembro, e um crescimento de 2,3% em 2027.
A inflação medida pelo índice de preços de despesas de consumo pessoal deve chegar a 2,7% neste ano, tanto na variação geral quanto no núcleo. Nos anos seguintes, a expectativa é que a inflação volte para perto da meta de 2%.
Apesar de resultados considerados fracos no indicador de emprego de folhas de pagamento – o payroll -, os formuladores de política monetária mantiveram a projeção de desemprego em 4,4% até o fim do ano.