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Economia

FMI aumenta ligeiramente previsão de crescimento do Brasil em 2021 para 3,7%

Para 2022, o Fundo manteve a projeção de uma expansão de 2,6% do PIB.

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por

Reuters
REUTERS/Lucas Landau

O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um pequeno ajuste na projeção de crescimento da economia do Brasil para este ano e manteve inalterada sua estimativa para 2022, em meio a incertezas em torno da trajetória da pandemia e da vacinação.

De acordo com o relatório Perspectiva Econômica Global divulgado nesta terça-feira (6), o FMI calcula crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro de 3,7% este ano, apenas 0,1 ponto percentual a mais do que o previsto na estimativa de janeiro.

Para 2022, o Fundo manteve a projeção de uma expansão de 2,6% do PIB.

A perspectiva do FMI para o grupo de mercados emergentes e em desenvolvimento, que inclui o Brasil, melhorou em 0,4 ponto percentual para este ano, a um crescimento de 6,7%, mas ficou inalterado em 5,0% para 2022.

O cenário para o Brasil também fica atrás daquele para a América Latina e Caribe como um todo, cujas previsões de crescimento melhoraram a 4,6% (4,1% antes) e 3,1% (2,9% antes) para 2021 e 2022, respectivamente.

“Após forte queda em 2020, apenas uma recuperação leve e de diferentes velocidades é esperada na América Latina e Caribe em 2021”, disse o FMI no relatório.

“Graças à recuperação global da manufatura no segundo semestre de 2020, o crescimento superou as expectativas em alguns grandes países exportadores na região”, completou o organismo multilateral, citando Argentina, Brasil e Peru.

Mas o FMI chamou a atenção para o fato de que a maioria dos países da região ainda não garantiu vacinas suficientes para imunizar suas populações.

“O cenário de longo prazo continua a depender da trajetória da pandemia”, disse. “Com algumas exceções, como o Chile, a Costa Rica e o México, a maioria dos países não garantiu vacinas suficientes para todas as suas populações.”

A projeção do FMI para o PIB brasileiro em 2021 está acima do estimado pelo Ministério da Economia (+3,2%).

As projeções do FMI mostram ainda que o Brasil deve terminar este ano com uma taxa de desemprego de 14,5%, caindo a 13,2% em 2022. Sobre a inflação, as estimativas para os índices de preços ao consumidor estão em respectivamente, 4,6% e 4,0%.

O centro da meta oficial para a inflação no Brasil em 2021 é de 3,75% e para 2022 é de 3,5%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para as contas externas brasileiras, o FMI calcula déficits em conta corrente de 0,6% e 0,8% do PIB para este ano e o próximo.

Emergentes

China Covid-19
Mulheres buscam crianças em escola de Wuhan, na China 15/01/2021 REUTERS/Thomas Peter

Economias em desenvolvimento vão crescer mais rapidamente do que o previsto anteriormente, prevê o FMI, mas muitas fora da Ásia vão ficar para trás na recuperação em relação a seus pares desenvolvidos, tendência que pode prejudicar esforços de reduzir a diferença nos padrões de vida.

O fundo elevou sua previsão para o crescimento nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento para 6,7% em 2021, de 6,3% do relatório de janeiro.

Entretanto, o fundo manteve em 5% sua estimativa de expansão dos mercados emergentes em 2022. Enquanto isso, as economias avançadas viram fortes melhoras em seus cenários de crescimento para este ano e o próximo, com as projeções elevadas a 5,1% e 3,6% respectivamente.

Enquanto a China retornou a níveis pré-Covid do PIB ainda em 2020 e os Estados Unidos devem fazer isso neste ano, muitos mercados emergentes não chegarão lá antes de 2023, disse a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, no relatório.

“As trajetórias divergentes de recuperação devem criar diferenças significativamente maiores nos padrões de vida entre países em desenvolvimento e outros, comparado com as expectativas pré-pandemia”, disse Gopinath.

O FMI calcula que os mercados emergentes excluindo a China devem sofrer uma perda de 20% da renda per capita ao longo de 2020–2022 em comparação com projeções pré-pandemia, enquanto em economias avançadas essa perda ficaria em apenas 11%.

“Isso reverte os ganhos em redução da pobreza, com a expectativa de que mais 95 milhões de pessoas tenham entrado em extrema pobreza em 2020 e de 80 milhões mais de subnutridos do que antes”, acrescentou Gopinath.

Detalhes do crescimento regional em mercados emergentes mostram as divergências. Economias asiáticas devem expandir 8,6% neste ano e 6,0% em 2022, depois de lockdowns terem sido aliviados em grandes países como a Índia.

Enquanto isso, a Europa emergente deve crescer 4,4% neste ano, a região da América Latina e Caribe deve ter expansão de 4,6%, e o conjunto Oriente Médio, Ásia Central e África Sub-Saariana deve ter crescimento de 3,7% e 3,4% respectivamente.

Crescimento global

Wall Street
REUTERS/Brendan McDermid

O FMI elevou sua perspectiva para o crescimento econômico global de novo, projetando que a produção mundial aumentará 6% este ano, taxa que não é vista desde a década de 1970, graças principalmente a respostas de política econômica sem precedentes à pandemia de covid-19.

Essa melhora, ante 5,5% há menos de três meses, reflete amplamente um rápido avanço na perspectiva para a economia dos Estados Unidos, cujo crescimento o FMI projeta agora em 6,4% em 2021, ritmo mais forte desde o início da década de 1980. O resultado representa alta de 1,3 ponto percentual ante a projeção de 5,1% do FMI no final de janeiro e quase o dobro do que era estimado em outubro.

A projeção do FMI, se confirmada, marcará o ritmo mais rápido de expansão global desde 1976, mas também acontece após a contração anual mais intensa do pós-guerra no ano passado, quando a pandemia paralisou o mundo.

O fundo disse que a economia contraiu 3,3% em 2020, melhora modesta ante a retração estimada em janeiro de 3,5%.

O relatório Perspectiva Econômica Global mais recente, divulgado no início das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, reflete uma dramática divergência entre o cenário para os EUA e grande parte do resto do mundo devido ao novo pacote de alívio de US$ 1,9 trilhão recentemente aprovado em Washington.

As perspectivas para outras grandes economias avançadas, como Alemanha, França e Japão, tiveram poucas melhoras desde janeiro. Entretanto, com a perspectiva para os EUA sendo o principal motor, o FMI elevou sua estimativa de crescimento para economias avançadas a 5,1%, de 4,3%.

O FMI enfatizou o alto nível de incerteza em torno da perspectiva, e que melhoras podem facilmente ser perdidas devido a vários fatores.

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