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Economia

Guerra na Ucrânia completa 1 ano com mercado de olho em escalada das tensões

Enquanto especialistas apontam que efeitos sobre inflação são menores, incerteza segue no radar.

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A guerra na Ucrânia completa um ano sem perspectivas claras de um fim do conflito. Nos mercados financeiros, os impactos dessas tensões parecem já ter ficado para trás, segundo especialistas. No entanto, eles apontam que a possibilidade de uma nova escalada da guerra segue no radar e os novos efeitos sobre a economia são considerados incertos.

Em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, as bolsas pelo mundo despencaram com receios dos impactos econômicos do conflito. A principal preocupação era a inflação – o que viria a se confirmar, de fato, como um problema para diversos países nos meses seguintes, incluindo o Brasil.

“Foi um ano não só de inflação subindo, mas uma inflação bem difundida: muitos itens subindo ao mesmo tempo por terem um impacto da guerra”, lembra Gustavo Cruz, estrategista chefe da RB Investimentos. 

Entre as principais pressões inflacionárias, o petróleo chegou a ser cotado acima de US$ 100 em 2022, com medo de que a oferta da commodity fosse reduzida por causa das sanções às exportações russas. Outras pressões se deram sobre os produtos que tinham Rússia e Ucrânia como grandes exportadores, a exemplo do trigo e de fertilizantes

Guerra continua pressionando a inflação?

Prédio residencial danificado na cidade ucraniana de Bakhmut, na linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia 21/02/2023 REUTERS/Yevhenii Zavhorodnii

A discussão sobre a continuidade dos impactos da guerra da Ucrânia sobre a inflação divide especialistas. Enquanto alguns comentam que os efeitos sobre os preços já se dissiparam, outros apontam que as incertezas sobre os desdobramentos do conflito podem continuar pressionando as expectativas sobre oferta e demanda de itens importantes para a economia.

O analista Rodrigo Cohen, da Escola de Investimentos, por exemplo, diz que, “depois de um ano, a guerra continua impactando, sim, o mundo. A inflação de hoje é reflexo de um ano de guerra.” 

“Com certeza podemos ter pressão na nossa inflação porque temos uma bomba-relógio. Agora o (presidente da Rússia, Vladmir) Putin comentou que suspenderá o tratado de armas nucleares com os Estados Unidos depois que (o presidente norte-americano) Joe Biden foi visitar a Ucrânia. Então, isso é uma coisa que vai e vem, um efeito sanfona à medida que vão acontecendo coisas”, diz Cohen. 

Já Luciano Costa, economista-chefe e sócio da Monte Bravo Investimentos, avalia que os principais pontos de atenção no início da guerra – cotação do petróleo e preços de energia na Europa – já parecem ter encontrado um ponto de reequilíbrio. “Os impactos primordiais eram o preço do petróleo e a questão da oferta de gás. Nenhum dos dois parecem estar gerando grandes restrições na economia.”

“O fechamento dos gasodutos na Europa era a grande preocupação. E isso acabou sendo resolvido principalmente com a importação de gás de outros países”, comenta ele, acrescentando que essa “parece ser uma questão resolvida, pelo menos no curto prazo”. 

“A outra questão era o mercado de petróleo, o receio em relação à oferta com a saída da Rússia do mercado. Nisso também o impacto está ficando menor, porque, na verdade, a percepção é de que a Rússia está conseguindo exportar bastante petróleo, principalmente para Índia e China, que não estão participando do embargo. Por isso o petróleo voltou a ficar abaixo de US$ 100”, completa Costa. 

De qualquer maneira, os especialistas concordam que um possível recrudescimento da guerra poderia elevar as incertezas e aumentar as preocupações sobre novos impactos econômicos. Mas, mesmo assim, o impacto seria menor do que no começo da guerra, segundo Cruz. 

“É claro que o tempo é favorável aos outros países, porque você vai criando novas rotas comerciais, vai conseguindo criar estrutura para não depender tanto da Rússia e da Ucrânia. E isso facilita o próximo efeito do choque ser um pouco menor. A gente pode usar o mesmo raciocínio para pensar no que foi o impacto da pandemia no primeiro momento e no segundo.”

Gustavo Cruz, Estrategista Chefe da RB Investimentos

Sobre essa nova organização do comércio exterior mundial após a guerra na Ucrânia, Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, comenta que “a guerra basicamente dividiu o mundo entre os que fazem negócio com a Rússia e os que não fazem. Basicamente, China e Índia fazem negócios com a Rússia, outros países não fazem”. 

Tensões entre os países

Biden e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, se cumprimentam em encontro em Kiev 20/02/2023 Evan Vucci/Pool via REUTERS

Nesta quinta-feira (22), véspera do aniversário da guerra, a Ucrânia disse que suas forças repeliram ataques russos ao longo da linha de frente, enquanto o presidente da Rússia, Vladimir Putin, falava sobre ampliar o arsenal nuclear de seu país, conforme destacou a agência de notícias Reuters.

Putin anunciou planos para implantar novos mísseis balísticos intercontinentais de ogivas múltiplas Sarmat este ano. No início desta semana, ele suspendeu a participação da Rússia no tratado Novo Start de controle de armas nucleares.

Nesse cenário, Cohen aponta que é possível haver alguma volatilidade à frente no mercado financeiro. “Isso traz muito mais volatilidade para o mercado, obviamente. Porque a incerteza é um grande causador de volatilidade. O dólar, que atualmente está num preço baixo, pode voltar a subir nesse cenário, assim como o petróleo. Com isso, as bolsas no mundo tendem a cair e no Brasil não é diferente.”

Já Costa, da Monte Bravo, aponta que, “considerando que a perspectiva do conflito seja de não se intensificar, os impactos nos mercados vão ser muito pequenos“. Ele aponta outros fatores como mais determinantes para o rumo dos ativos nos próximos meses, como as decisões sobre as taxas de juros pelos bancos centrais pelo mundo e, no Brasil, a apresentação de um novo arcabouço fiscal. “O mercado está mais se guiando pela questão macro do que a guerra da Ucrânia”, diz o economista.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa de cerimônia em Moscou 23/02/2023 Sputnik/Pavel Bednyakov/Pool via REUTERS

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