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Economia

Ibovespa titubeia com dados de inflação no radar

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa não firmava uma direção nesta sexta-feira, com a Gol capitaneando as perdas, conforme agentes financeiros ainda avaliam os potenciais desdobramentos do pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos feito pela companhia aérea.

Dados brasileiros e norte-americanos de inflação também ocupavam as atenções a poucos dias de decisões de política monetária dos bancos centrais do Brasil e dos EUA.

Às 11h22, o Ibovespa subia 0,12%, a 128.322,20 pontos. Na máxima até o momento, chegou a 128.479,19 pontos. Na mínima, a 127.868,80 pontos. O volume financeiro somava 2,9 bilhões de reais.

Antes da abertura, dados do IBGE mostraram alta de 0,31% do IPCA-15 em janeiro, desacelerando frente a dezembro e ficando abaixo da previsão de economistas. Em 12 meses, acumulou avanço de 4,47%, também abaixo do previsto.

“Apesar do número geral mais fraco que o consenso e trazendo revisão para baixo na projeção do ano, a leitura qualitativa seguiu ruim”, avaliou a estrategista de inflação da Warren Rena, Andréa Angelo, em comentário a clientes.

A estrategista chamou a atenção para o grupo de serviços subjacentes, acrescentando que, com a dúvida sobre a velocidade da desinflação deste grupo, o BC deve seguir no ritmo de cortes de 0,50 ponto percentual de queda da Selic.

Para a próxima semana, a expectativa consensual em pesquisa Reuters é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduzirá a Selic em 0,50 ponto, a 11,25%, quando encerrar encontro de dois dias na próxima quarta-feira.

Nos Estados Unidos, o índice PCE de preços subiu 0,2% no mês passado, após queda não revisada de 0,1% em novembro, informou o Departamento de Comércio nesta sexta-feira. Em 12 meses, o índice avançou 2,6%, repetindo o resultado de novembro.

Os números ficaram dentro das expectativas, mudando pouco as apostas para a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigal em inglês) do Federal Reserve que será conhecida também na quarta-feira da próxima semana.

Os contratos futuros de juros nos EUA ainda apontavam uma maior chance, de cerca de 90%, de um primeiro corte nos juros pelo BC norte-americano em maio. Para março, a probabilidade era um pouco menor do que 50%.

Na visão do economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, a atenção na próxima semana estará, mais uma vez, voltada para a entrevista de Jerome Powell, chair do Fed, após a decisão. “A tendência é que ele seja cauteloso ao se expressar sobre o início da queda dos juros.”

DESTAQUES

– GOL PN era negociada em baixa de 12,42%, a 5,64 reais, com agentes financeiros ainda digerindo o anúncio de pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, embora a notícia não tenha sido exatamente uma surpresa após o noticiário recente envolvendo a companhia aérea. Mais cedo, o presidente-executivo da Gol afirmou que o processo nos EUA deve durar “substancialmente menos” que o prazo de 20, 30 meses de outras empresas latino-americanas. O Bradesco BBI cortou a recomendação das ações da Gol para “underperform” e reduziu o preço-alvo de 10 para 1 real, citando que, “com ou sem o ‘Chapter 11’, todos os cenários levam a uma enorme diluição do capital”.

– USIMINAS PNA avançava 2,99%, a 9,30 reais, endossada por relatório do JPMorgan elevando a recomendação dos papéis para “overweight” e o preço-alvo de 8 para 11 reais. Os analistas do banco também aumentaram o preço-alvo de CSN de 16 para 17 reais, mas mantiveram a recomendação “neutra”, enquanto Gerdau também seguiu com classificação “neutra”, mas teve o preço-alvo reduzido de 26 para 24 reais. CSN ON valorizava-se 1,84%, a 18,25 reais, e GERDAU PN mostrava acréscimo de 0,09%, a 21,80 reais.

– VALE ON operava estável, a 68,36 reais, já tendo trabalhado no território positivo mais cedo, a 68,91 reais, tentando uma trégua na pressão vendedora que tem marcado o primeiro mês do ano e que já fez a companhia perder mais de 40 bilhões de reais em valor de mercado. Ainda no radar, estão decisão relacionada a Brumadinho, bem como ruídos sobre os planos do governo de emplacar o ex-ministro Guido Mantega na mineradora. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Dalian Commodity Exchange fechou com declínio de 0,1%, a 989,50 iuanes (137,82 dólares) a tonelada, mas acumulou na semana uma elevação de 4,3%, maior ganho semanal desde novembro de 2023. No mês, até véspera, as ações da Vale acumulavam uma queda de 11,45%.

– PETROBRAS PN tinha variação negativa de 0,08%, a 39,25 reais, após saltar 3,7% na quinta-feira, em sessão marcada pelo declínio dos preços do petróleo no exterior. O barril do Brent, usado como referência pela companhia, cedia 0,27%, a 82,21 dólares. Analistas do BTG Pactual reiteraram a recomendação de “compra” para as ações em relatório nesta semana, no qual afirmaram que ainda veem um cenário que apoia dividendos de 3,6 bilhões de dólares no quarto trimestre de 2023 e de 12,2 bilhões de reais em 2024,

– ITAÚ UNIBANCO PN ganhava 0,77%, a 32,58 reais, BRADESCO PN subia 0,85%, a 15,49 reais.

– B3 ON cedia 0,89%, a 13,31 reais, tendo no radar relatório do Itaú BBA cortando a recomendação dos papéis para “market perform” e reduzindo o preço-alvo de 17 para 16 reais.

– COPEL PNB operava estável, a 10,05 reais, após anunciar que concordou em pagar 672 milhões de reais em um processo arbitral iniciado em 2015, valor que será dividido em duas parcelas, com a primeira vencendo em 31 de janeiro. A companhia citou que os pleitos no litígio atingiam cerca de 3 bilhões de reais.

– VULCABRAS ON recuava 5,69%, a 18,73 reais após anúncio no final da noite da quinta-feira que pretende realizar uma oferta pública primária de pelo menos 250 milhões de reais, podendo atingir o dobro deste valor dependendo da demanda dos investidores. Os recursos da oferta serão destinados para pagamento de dividendos e reforço de caixa.

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