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Economia

IPCA de novembro sobe 0,95%, maior alta para o mês desde 2015

Em 12 meses, o índice de preços acumulada alta de 10,74%.

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IPCA
Consumidores fazem compras em supermercado de Porto Alegre em meio a disseminação da Covid-19 09/03/2021 REUTERS/Diego Vara

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou notável alta no mês de novembro, fechando com avanço de 0,95%, ante 1,25% em outubro, informou na manhã desta sexta-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da alta, puxada pelos custos com transportes, impulsionados, por sua vez, pelos preços dos combustíveis, a inflação começou a dar sinais de alguma descompressão, segundo a Reuters, que se continuada pode influenciar as expectativas para os juros no ano que vem depois de o Banco Central endurecer o discurso contra o aumento indesejado dos preços.

Em 2021, a inflação acumula alta de 9,26% e, nos últimos 12 meses, sobe 10,74%, acima dos 10,67% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. A taxa em 12 meses é a mais alta desde novembro de 2003 (11,02%).

Economistas consultados pela Reuters esperavam elevação de 1,08% na margem e de 10,88% no acumulado em 12 meses.

“IPCA com amplos sinais de desaceleração em novembro de 2021. Enfim um primeiro sinal de calmaria nesta sexta”, disse Yihao Lin, da área de análise macro na Genial Investimentos.

“Alimentos tiveram queda maior, mas todos os grupos, exceto transportes, mostraram desaceleração. Surpresa positiva da inflação”, comentou Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter.

Segundo o IBGE, o índice de difusão –uma medida de quão espalhadas estão as variações de preços dos componentes do IPCA– caiu a 63% em novembro, de contra 67% em outubro, indicando aumento de custos menos disseminado.

Outra evidência de melhor composição da inflação, a média móvel mensal de cinco núcleos do índice ficou em 0,61%, de 0,95% em outubro, segundo dados da Genial Investimentos, que mostraram ainda a alta dos preços dos serviços em forte desaceleração –de 1,04% em outubro para 0,27% em novembro.

Em cálculo proprietário da Genial, alimentação saiu de alta de 1,32% para variação positiva de 0,04%, enquanto produtos industriais esfriou o aumento para 0,98%, de 1,40%.

“Número muito bom também no qualitativo. Núcleos para baixo, serviços e industriais abaixo do esperado. Destaque para a forte reversão do item higiene pessoal para ajudar no último. Mesmo assim, dá para dizer que a melhora na margem foi generalizada”, comentou o Fundo Versa.

O IPCA mais brando vem dois dias depois de o Banco Central adotar uma linguagem mais dura sobre a inflação. O BC elevou a taxa Selic em 1,50 ponto percentual, para 9,25% ao ano, indicou nova alta da mesma magnitude para fevereiro e destacou em comunicado a importância de o ciclo de aperto avançar “significativamente” em território contracionista para consolidar o processo de desinflação e de ancoragem das expectativas em torno das metas.

As taxas dos contratos de juros futuros negociados na bolsa brasileira –uma medida das expectativas do mercado para os rumos da Selic– subiram na quinta-feira nos vencimentos de curto prazo, mas nesta sexta despencavam até 26 pontos-base, após o IPCA menos salgado esfriar apostas de um aperto monetário mais longo e agressivo.

Componentes

Em novembro, os custos dos transportes subiram 3,35% –maior variação dentre os grupos e maior impacto (0,72 ponto percentual) no índice cheio–, influenciados pelos preços dos combustíveis, principalmente da gasolina, que saltou 7,38% e, de novo, teve o maior impacto individual no índice do mês (0,46 ponto percentual).

A gasolina acumula em 12 meses alta de 50,78%. Na mesma linha, o etanol disparou 69,40%, e o diesel, 49,56%.

Segundo o IBGE, a menor leitura do IPCA em novembro ante outubro decorreu de quedas nos preços de alimentação e bebidas (-0,04%), devido à baixa de 0,25% na alimentação fora do domicílio, influenciada pelo item lanche (-3,37%).

Também influenciou a desaceleração do índice o grupo saúde e cuidados pessoais (-0,57%), consequência do recuo nos preços dos itens de higiene pessoal (-3,00%) –sobretudo perfumes (-10,66%), artigos de maquiagem (-3,94%) e produtos para pele (-3,72%).

“A Black Friday ajuda a explicar a queda tanto no lanche quanto nos itens de higiene pessoal”, disse o gerente da pesquisa do IPCA, Pedro Kislanov. “Isso (impacto da Black Friday) tem acontecido com mais frequência de 2018 para cá. A Black Friday cresceu muito, e os descontos acontecem em todo mês de novembro e têm se expandido para demais setores. Dessa vez veio com mais força em higiene e lanche”, completou.

Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo

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