Segundo a agência estatal IRNA, o Irã exigiu um fim permanente à guerra, o levantamento das sanções, esforços de reconstrução e um protocolo para passagem segura pelo estreito. A rejeição, comunicada por meio do mediador Paquistão, representa mais um revés para os esforços de encerrar a guerra de um mês que provocou uma crise energética global.
Trump descreveu na segunda-feira (6) a última proposta do Irã como um “passo muito significativo”, mas insuficiente para encerrar os combates.
Aliados dos EUA estariam pressionando por um acordo de última hora com o Irã, enquanto Trump estendeu o prazo até terça-feira para que Teerã reabra a via estratégica, mantendo os mercados apreensivos sobre a possibilidade de um avanço nas negociações.
O Axios informou que Paquistão, Egito e Turquia estão tentando garantir um cessar-fogo potencial de cerca de 45 dias para evitar ataques americanos à infraestrutura energética do Irã e retaliações da República Islâmica contra países da região.
Petróleo
Os preços do petróleo pouco mudaram na segunda-feira (6), alternando entre perdas e ganhos, com os traders atentos ao fluxo real de barris. O Brent negociava próximo a US$ 108 por barril, enquanto o WTI dos EUA oscilava em torno de US$ 110 por barril.
Os combates continuaram, com Israel, Kuwait e Emirados Árabes Unidos reportando ataques iranianos durante a madrugada de segunda-feira. Israel atingiu a maior instalação petroquímica do Irã, responsável por 50% da produção do setor no país, segundo o ministro da Defesa israelense Israel Katz.
Em postagem com linguagem forte no domingo, Trump ameaçou destruir usinas de energia iranianas e “explodir tudo por lá”, antes de anunciar um novo prazo até terça-feira às 20h, sem fornecer detalhes. A medida soma-se a uma série de extensões desde 21 de março, quando Trump começou a emitir ultimatos semelhantes para forçar a reabertura do estreito estratégico.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, por meio do porta-voz Esmail Baghaei, confirmou a troca de mensagens com os EUA, mas reiterou que Teerã busca o fim definitivo da guerra, e não apenas uma pausa. Baghaei afirmou que concordar com um cessar-fogo de curto prazo sem garantias de que o ciclo não se repetirá é algo que “nenhuma pessoa racional faria”.
Estreito de Ormuz
O conflito já deixou milhares de mortos, a maioria no Irã e no Líbano, e praticamente paralisou o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz — por onde normalmente circula cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.
Teerã continuou atacando alvos energéticos em países vizinhos do Golfo Pérsico, incluindo sedes de petróleo do Kuwait e uma grande planta petroquímica em Abu Dhabi durante o fim de semana. Os Emirados emitiram múltiplos alertas durante a noite, enquanto o Kuwait informou que suas defesas aéreas interceptaram mísseis e drones.
O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica confirmou a morte de Majid Khademi, chefe da organização de inteligência da corporação, em um ataque conjunto EUA-Israel, segundo a agência semi-oficial Fars.
Em 24 horas, apenas 15 navios passaram pelo Estreito de Ormuz com permissão do Irã, cerca de 90% abaixo do fluxo antes do início do conflito. Dois petroleiros carregando GNL do Catar teriam desistido de sair do Golfo Pérsico pelo estreito, adiando as primeiras exportações para compradores fora da região desde o início da guerra.
Gasolina em alta
Nos EUA, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão pela primeira vez desde 2022, o que aumenta o risco político para a administração Trump e os republicanos, à medida que os consumidores se preocupam com o custo de vida antes das eleições de meio de mandato em novembro.
No entanto, não será fácil encerrar o conflito. Tanto os EUA quanto o Irã rejeitaram as demandas um do outro, enquanto Israel deixou claro que pretende infligir mais danos às capacidades militares de Teerã.
Israel estima que o Irã ainda possui mais de 1.000 mísseis capazes de atingir seu território, enquanto o arsenal do Hezbollah no Líbano inclui até 10.000 foguetes de curto alcance. O Exército israelense conduz uma guerra paralela no Líbano contra o Hezbollah alinhado ao Irã.
Mais de 5.000 pessoas foram mortas no conflito, quase três quartos delas no Irã, segundo organizações governamentais e a US-based Human Rights Activists News Agency. Mais de 1.400 pessoas morreram no Líbano, além de dezenas em outros Estados árabes do Golfo e em Israel.
Durante o fim de semana, os EUA resgataram um aviador iraniano em uma operação que envolveu dezenas de aeronaves em área montanhosa da República Islâmica, após a queda de uma aeronave militar americana. A missão durou dois dias e envolveu centenas de tropas de operações especiais, com bombardeios e disparos em comboios iranianos para proteger o aviador, segundo o New York Times.
O conflito gerou perturbações nos preços do petróleo, e o aumento nos custos de derivados como querosene e diesel ameaça uma nova onda de inflação. Membros da OPEP+ aumentaram suas cotas de produção para maio, em movimento simbólico, enquanto a guerra restringe a produção e os embarques de vários dos maiores países da aliança.
A Arábia Saudita elevou o preço de seu principal óleo para a Ásia a um prêmio recorde, buscando um spread de US$ 19,50 sobre os benchmarks regionais.
O Irã anunciou no sábado que o Iraque seria isento de suas restrições de navegação no estreito, permitindo até 3 milhões de barris por dia de petróleo iraquiano. Um oficial iraquiano alertou que os volumes dependeriam da disposição das empresas de navegação de arriscar entrar no estreito.
O petroleiro Suezmax Ocean Thunder, carregado no terminal de Basra, no Iraque, em março, seguiu pelo estreito rumo à Malásia. Cada navio pode transportar cerca de 1 milhão de barris de petróleo.