O principal programa do presidente Javier Milei para atrair investimentos à Argentina deve receber uma nova rodada de pedidos de produtores de petróleo, após o governo ampliar a iniciativa para incluir poços de shale oil (petróleo de xisto).

YPF, Vista Energy e Pampa Energía afirmaram em recentes teleconferências de resultados que estão avaliando aderir ao programa. Conhecido pela sigla em espanhol RIGI, o regime de incentivos prevê benefícios fiscais por 30 anos, além de regras mais flexíveis para alfândega e exportações.

O escopo do RIGI foi ampliado em 19 de fevereiro para estimular o desenvolvimento de campos virgens na formação de xisto de Vaca Muerta. Um oleoduto dedicado e um porto para exportação de petróleo estão sendo construídos rapidamente, enquanto a indústria de shale dos Estados Unidos — que enfrenta escassez de áreas de maior produtividade — demonstra interesse em migrar para a Argentina.

“Certamente ajudará a desenvolver todo o potencial de Vaca Muerta”, disse o CEO da YPF, Horacio Marín, na sexta-feira, durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre da estatal. Executivos da Vista e da Pampa fizeram comentários semelhantes em suas respectivas apresentações.

Para Matías Cattaruzi, analista de ações da Adcap em Buenos Aires, a inclusão da perfuração de petróleo de xisto no RIGI “ajudará a acelerar investimentos em blocos que eram esperados para serem desenvolvidos mais perto de 2029–30 e que agora podem ser antecipados em alguns anos”. Segundo ele, apenas os incentivos fiscais poderiam elevar o retorno desses blocos em até 12%.

Segundo algumas estimativas, o programa RIGI já recebeu pedidos de projetos nos setores de energia e mineração que exigiriam investimentos totais superiores a US$ 50 bilhões.