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Não é sobre ganhar ou perder, mas sobre o direito de escolher

Nós, mulheres, precisamos aprender a acreditar mais em nossas escolhas e compreender que elas não necessariamente são para sempre.

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Kamala Harris/Facebook

Na semana passada, o mundo parou para acompanhar as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Desta vez não somente por conta do fim de uma corrida entre democratas e republicanos, mas também em razão da disputa entre uma figura conservadora e um concorrente que escolheu como vice uma mulher filha de imigrantes e negra: a consagrada Kamala Harris.

Com o resultado eleitoral, as mulheres ganharam um espaço significativo no Congresso americano, porém ainda tímido: elas representam menos de um quarto dos assentos na Câmera e no Senado.

Outro fato que marcou as eleições americanas foi o gap histórico de gênero. mulheres e homens com escolhas diferentes, de acordo com o artigo “A historic gender gap: why men and women are voting differently”, publicada pelo Financial Times.

Segundo pesquisa realizada entre janeiro e outubro deste ano, a maioria das mulheres consultadas (58%) declarou intenção de voto em Joe Biden. Outras 35% declararam voto em Donald Trump. Já metade dos homens pesquisados (50%) declarou intenção de voto em Biden, enquanto 43% em Trump.

É importante uma pausa. Não quero entrar no mérito de quem é melhor ou pior para os Estados Unidos. Eu quero destacar o direito de escolha e a importância da representatividade em todo esse processo.

Como é importante ter mulheres falando e compartilhando suas opiniões e histórias. O quanto é relevante a figura de líderes mulheres atraindo outras mulheres para fazerem suas escolhas. Isso conecta e aproxima.

Como resultado, pesquisas mostraram que esse gap de gênero nas eleições americanas quebrou a tendência de casais votarem no mesmo candidato.

Parece que foi ontem

Vale lembrar que o direito ao voto feminino não é uma conquista tão distante. Aprovada pelo Congresso americano em 1919 e ratificada em 18 de agosto de 1920, a 19ª emenda à Constituição Americana previu a garantia do voto feminino a todas as mulheres graças à luta sufragista, iniciada principalmente no ano de 1800.

Já o voto feminino negro foi validado apenas em 1964, com a Lei de Direitos Civis. Portanto, neste ano de 2020, completam-se apenas 100 anos do direito da mulher americana branca ao voto. E, infelizmente, nem todas as mulheres tiveram esse acesso garantido.

Nossa vez de votar

No próximo final de semana será nossa vez de votar. Teremos no Brasil as eleições municipais e, por aqui, a conquista feminina ao voto também é consideravelmente recente. Em 24 de fevereiro de 1932, a publicação do Decreto nº 21.076 instituiu no Brasil a Justiça Eleitoral, o voto secreto e o voto feminino nacional. Segundo o TSE, nós mulheres representamos 52,49% do total dos eleitores, apesar de apenas 16,2% de mulheres eleitas, conforme as últimas eleições em 2018.

Estamos longe de registrar um gap histórico de gênero, com diferentes votos entre homens e mulheres. O nosso gap é de representatividade em vários cenários, inclusive político.

Sobre o direito de escolher

O mesmo acontece quando falamos sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho. Nós também somos a maioria na base, mas uma minoria na liderança.

Ou seja, o direito de escolha entre homens e mulheres por aqui ainda é bem diferente, o que é muito preocupante. O que nos torna iguais é o poder das nossas escolhas. Mas ainda vivemos em um mundo onde muitas não têm o direito de escolher. Ou que essas escolhas não são iguais.

Portanto, empoderar as mulheres significa dar a elas o direito de escolher. Em contrapartida, nós, mulheres precisamos aprender a acreditar mais em nossas escolhas e compreender que elas não necessariamente são para sempre.

Neste contexto, como é importante participarmos também das escolhas quando o assunto é investir nosso dinheiro. Infelizmente, essas escolhas ainda são majoritariamente tomadas pelos homens.

E por que isso também é importante? Porque quando, nós, mulheres soubermos como cuidar do nosso dinheiro, conseguiremos ir além. Não somente fazendo as nossas escolhas, mas bancando-as também!

Para finalizar, trago como inspiração Ruth Bader Ginsburg, que faleceu em setembro deste ano. Ela foi juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos e uma apaixonada e incansável defensora dos direitos das mulheres e das liberdades civis. Em uma de suas frases, ela diz: “As mulheres pertencem a todos os lugares onde as decisões são tomadas”.

Espero que toda sua luta não tenha sido em vão. E que um dia todas as mulheres possam de fato estar ativamente em todos os lugares onde todas as decisões são tomadas.

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