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O Bitcoin avançou para uma máxima de dois meses, finalmente se juntando à alta de ativos de risco e metais preciosos após passar semanas preso em uma faixa estreita.

O ativo digital original subiu até 3,9%, chegando a US$ 97.694 na quarta-feira, seu maior valor intradiário desde 14 de novembro, quando atingiu pela última vez US$ 100.000. O Ether, a segunda maior criptomoeda, disparou até 6%. Nos mercados de opções, a alta eliminou mais de meio bilhão de dólares em apostas baixistas em cripto.

O salto do Bitcoin levou o preço acima da sua média móvel de 100 dias, sinal que traders que usam gráficos para prever preços consideram positivo. O Bitcoin havia caído mais de 6% em 2025, após terminar o ano de forma discreta, negociando em uma faixa estreita e mostrando-se amplamente indiferente às altas de ações e metais preciosos. Mas o token mostrou sinais de um possível rompimento ao longo de janeiro, e os traders agora veem potencial para ganhar terreno frente a outras classes de ativos.

“No médio prazo, acredito que podemos ver investidores alocando mais em Bitcoin na narrativa de ‘alcance do ouro’ — e outros ativos de risco estão se saindo muito bem”, disse Justin d’Anethan, chefe de pesquisa da Arctic Digital.

Ele apontou um relatório de terça-feira mostrando que a inflação subjacente nos EUA subiu menos do que o esperado, funcionando como um vento a favor do token, além das tensões envolvendo o Federal Reserve dos EUA, que recebeu intimações do Grande Júri do Departamento de Justiça no início desta semana. O episódio do Fed destaca “o valor de ativos de refúgio e ativos duros” em relação ao dólar americano, disse d’Anethan.

Outro fator é o “forte short squeeze” nos mercados de derivativos de Bitcoin, disse Vincent Liu, diretor de investimentos da Kronos Research. Cerca de US$ 290 milhões em posições vendidas de Bitcoin foram liquidadas nas últimas 24 horas, segundo dados da CoinGlass. No total de criptomoedas, aproximadamente US$ 700 milhões em posições vendidas foram eliminadas.

Investidores aplicaram US$ 754 milhões nos 12 fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin listados nos EUA na terça-feira, o maior valor desde 7 de outubro, em um voto de confiança de que a alta tem potencial para continuar.

Uma quebra sustentada acima de US$ 95.000 abriria caminho para uma corrida até a marca de US$ 100.000 e, “potencialmente, a média móvel de 200 dias, que atualmente está em US$ 106.115”, disse Tony Sycamore, analista da IG Australia, em nota.

De modo geral, os traders veem o atual cenário macroeconômico como positivo para o Bitcoin, disse Joshua Lim, co-chefe global de mercados da FalconX.

As tensões na Venezuela, a instabilidade no Irã, o debate sobre a independência do Fed e a decisão da MSCI de adiar um plano de remover empresas com grande presença em cripto, como a Strategy Inc., dos principais índices, representam um “ritmo constante de desenvolvimentos macroeconômicos positivos” para o Bitcoin, acrescentou ele.