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Finanças

Black Friday online: veja 6 dicas para fugir das armadilhas em 2020

Pesquisas apontam que 46% dos brasileiros vão aproveitar a data para ir às compras. Saiba como não usar cegamente o ‘eu mereço’ e evitar um buraco no bolso.

Publicado

em

por

Katherine Rivas
compras online

Final de novembro está chegando e, com ele, a oportunidade para muitos varejistas movimentarem a economia com a sexta-feira mais esperada do ano: a Black Friday. Neste ano, a data mais esperada pelo varejo acontece no dia 27 de novembro.

Após uma década de Black Friday no Brasil, em 2020 as coisas devem ser um pouco diferentes porque a pandemia criou um marco atípico para os negócios. Muitos varejistas foram forçados a migrar para o online. Segundo uma pesquisa feita pela Social Miner em parceria com a Opinion Box, o canal mais usado neste ano para fazer as compras será os aplicativos, com 65% da preferência dos brasileiros, além das lojas de e-commerce, com 42% de procura.

Não foi apenas o canal de compras do brasileiro que mudou. Os hábitos de consumo dos brasileiros e sua consciência financeira também. De acordo com um levantamento feito pela Kantar Ibope Média, 39% dos brasileiros deixaram de comprar algum item após ter a renda reduzida ou por medo da crise. A Black Friday surge como uma oportunidade de satisfazer algumas necessidades e desejos: 46% dos brasileiros apontaram que vão aproveitar a data para finalmente ir às compras.

Entre os produtos que devem ter maior procura estão eletrônicos, eletrodomésticos, roupas e calçados.

Para Graziela Fortunato, especialista em finanças e professora da IAG-Escola de Negócios da PUC-Rio, a Black Friday deste ano permitirá aos varejistas e ao consumidor ter uma relação ganha-ganha. Com a pandemia, muitos lojistas ficaram com estoques acumulados de produtos e venderam pouco. Eles precisam gerar um bom caixa nesta data o que deve dar lugar a promoções melhores que em anos anteriores.

Com muito estoque e preços baixos, o consumidor também será beneficiado. Contudo, não se pode ignorar o outro lado da moeda: o comportamental.

A educadora financeira, Carol Stange explica que um dos principais motivos do consumismo é o gatilho da compensação. Ele geralmente acontece quando uma pessoa desconta suas emoções no consumo. Sabe quando alguém está muito feliz e acaba gastando para comemorar? Ou quando alguém está triste e chateado e acaba gastando para compensar esta emoção? Sim, o tal do “eu mereço”.

Para Stange, este gatilho pode se intensificar na Black Friday. Em um ano tão difícil com a crise gerada pela pandemia, isolamento e uma montanha russa de emoções, as pessoas podem se tornar presas fáceis do consumismo. Especialmente porque as compras devem ocorrer, em sua maioria, de forma online, ao alcance do clique o que diminui mais ainda a capacidade de reflexão sobre este consumo.

Por este motivo e para ajudar a fechar o ano no azul, o InvestNews separou algumas dicas para que a Black Friday seja uma data de oportunidades e não uma dor de cabeça no futuro.

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1 – Lembre do planejamento financeiro

Carol Stange explica que, no Brasil, a Black Friday ocorre em novembro de forma quase proposital para as pessoas gastarem o décimo terceiro salário, seja em compras ou em presentes de Natal. Mas o problema vem logo depois, pois a maioria esquece que este recurso extra deveria ser considerado um respiro para os gastos extras que chegam em janeiro.

Desta forma, quando alguém gasta o 13º por impulso, fica sem recursos para pagar impostos como IPTU e IPVA, a matrícula dos filhos e os gastos escolares no começo do próximo ano. A situação vira uma bola de neve e muitas pessoas se endividam ou recorrem a empréstimo com juros elevado, cheque especial ou cartão para pagar estas contas. “Não da para entender como as pessoas ficam pagando IPTU parcelado até outubro no lugar de aproveitar o 13º e ficar livre em janeiro”, afirma Carol.

Por este motivo, ela reforça que é fundamental definir com antecedência o valor que de fato é possível gastar na Black Friday.

2.- Faça uma lista de compras e desejos

Para não sair comprando por impulso, Graziela Fortunato recomenda ter a estratégia de criar duas listas: uma de necessidades e outra de desejos.

Usar uma lista é essencial para não se perder no processo de compra. Na internet, abundam os anúncios e promoções que podem fazer com que o consumidor fique perdido e saia comprando o que sequer planejou.

A lista de necessidades serve com um norte para aproveitar a Black Friday para comprar algo realmente urgente. Por exemplo, a troca de uma geladeira. Graziela recomenda comprar os itens na lista de desejos, apenas depois de ter concluído as necessidades e se ainda sobrar dinheiro.

Além de separar o que é necessário do que é fútil, é importante também incluir na lista as características do produto que esperamos comprar. Carol explica que muitas vezes os produtos básicos são oferecidos como uma porta de entrada a itens mais caros, uma espécie de chamariz. E se o consumidor não ficar atento, pode acabar gastando muito mais do que calculado.

3 – Faça uma pesquisa de preços

Depois de definir quais são seus desejos e necessidades de compra, é importante fazer uma pesquisa de preços.

Sabe aquele ditado “tudo pela metade do dobro”? É muito comum que na segunda ou terceira semana de novembro as lojas aumentem o valor dos produtos para logo retomarem o preço inicial. E no lugar de você comprar o item em promoção, muitas vezes acaba comprando pelo mesmo valor ou até mesmo mais caro.

Por este motivo, as especialistas recomendam que o consumidor anote os preços dos produtos com antecedência, no mês de outubro. E verifique se na Black Friday foram de fato reduzidos.

E para quem não conseguiu fazer a anotação com tempo neste ano, ainda resta a oportunidade de fazer uma pesquisa comparativa. Na hora de comprar um produto ou serviço, não adquira o primeiro que encontrar na internet, faça uma busca e compare o preço em todas as lojas online.

O consumidor também pode usar sites que comparam preços. Algumas alternativas são: Promobit, Já Cotei, Buscapé, Baixou, Bondfaro, Compare TechTudo, entre outros.

4 – Parcelado ou à vista?

Uma das dúvidas mais recorrentes é identificar quando de fato vale a pena pagar à vista. Graziela, da IAG, explica que muitas vezes na Black Friday a oferta pode vir da seguinte forma: Um produto de R$ 100 que pode ser pago em até 10x de R$ 10 sem juros.

Desta forma, o valor à vista não poderia ser R$ 100. Provavelmente em uma loja física o consumidor teria a oportunidade de rediscutir o preço pedindo desconto. No entanto, em uma compra online muitas vezes não há essa chance. “Se for online e não tiver desconto à vista, opte sempre por comprar parcelado e sem juros”, aconselha.

Mas na hora de comprar parcelado, há ainda outros pontos de atenção. O primeiro é nunca fazer uma compra parcelada com juros. E o segundo é sempre olhar o valor da parcela e calcular a soma do valor total.

Por exemplo: Se o valor do produto à vista é de R$ 500, mas no parcelado a oferta é de 10 vezes de R$ 73 mensais. O valor total da compra após o pagamento das parcelas ficaria R$ 730, muito mais caro do que o valor à vista. Nesta situação, é sempre melhor não parcelar.

Agora, caso a parcela seja realmente boa para o consumidor, Carol aconselha identificar é possível arcar com esse gasto todo mês sem se atrapalhar no pagamento de outras contas rotineiras. “Quem usa cartão de crédito deve ter uma meta para pagar na fatura por mês, se estou parcelando algo melhor terminar de pagar primeiro antes de entrar em um novo parcelamento”, recomenda.

5 – Leve em conta o frete

Outro fator importante a ser considerado é o valor do frete. Algumas empresas dão desconto nos produtos na Black Friday, mas tentam compensar isso aumentando o valor do frete, o que torna a compra do produto inviável.

Outra prática comum é oferecer frete grátis durante todo o ano e colocar taxa de entrega neste período. É importante que os consumidores fiquem atentos a estas armadilhas e possam denunciar nos órgãos de proteção ao consumidor, seja Idec, Procon ou até no site do Reclame Aqui.

Além do frete, uma prática para aumentar os preços é cobrar um valor extra por uma voltagem diferente ou por um produto em outra cor.

6 – Cuidado com as emoções

Como citamos no começo da matéria, o fator comportamental acostuma ser a porta de entrada para o consumo desenfreado. Por este motivo, antes de sair às compras na Black Friday, é importante fazer uma autoanálise da situação atual e qual é sua relação com o dinheiro.

“Se sou uma pessoa endividada e não tenho controle com as finanças devo me policiar frente as promoções. Se sou um poupador posso aproveitar com mais calma a Black Friday”, aponta Graziela.

Segundo Carol, uma dica para pessoas com pouco controle financeiro é desabilitar notificações dos aplicativos ou e-mail marketing. “Pesquisas apontam que pessoas que abrem e-mail marketing gastam duas vezes mais de quem não abre”, afirma.

Outra estratégia é a regra dos 10 minutos. Quando estamos prestes a fazer uma compra por impulso é preciso parar e esperar 10 minutos para ver se o desejo de comprar permanece. Se a dúvida continuar, é melhor não fazer a compra.

Por último, é importante não cair no gatilho da compensação, embora seja um ano difícil, não é o consumo excessivo que pode trazer a verdadeira felicidade. Não esqueça que a Black Friday não é a única oportunidade de encontrar promoções. As lojas brasileiras sempre dão um jeito durante o ano seja em março com o bota-fora ou no fim da temporada de inverno ou verão.

Segurança em primeiro lugar

Além de ter cuidado com o bolso, é importante também ficar de olho na segurança, especialmente no meio digital. Por este motivo, Arthur Igreja, especialista em Tecnologia, Inovação e Tendências, cita algumas recomendações para não cair em golpes neste período.

  • Na hora de comprar, vá sempre até o site da loja e não clique em links recebidos pelas redes sociais, e-mails ou SMS.
  • Verifique se o site da loja tem a proteção devida, geralmente é um cadeado de segurança na barra de endereço.
  • Um golpe comum é o phishing, quando um site tem um cara muito parecida ao de uma loja tradicional, mas não é o site oficial. Como há muitas lojas criadas de última hora para a Black Friday, é sempre bom fazer uma busca em sites como Reclame Aqui e Buscapé para analisar a reputação da loja.

Quando a esmola é demais…

Sabe o ditado “quando a esmola é demais o santo desconfia”? Igreja aconselha ficar de olho nos preços.

Ele recomenda ter cuidado com ofertas excessivas e compras em sites pequenos. “É melhor ter desconto menos mas em lugar confiável”, defende. Segundo o especialista, a expectativa de desconto para a Black Friday é entre 20% a 30% sobre os valores normais. Se o consumidor se deparar com ofertas maiores, é bom ficar atento.

“Vale lembrar que o varejo é um jogo de margens que não são tão grandes. Ou seja, não dá para esperar milagres”, acrescenta.

Outro problema com os preços exorbitantemente baixos é a importação a posteriori, ou seja sites chineses e americanos, onde a entrega pode superar os 60 dias, mais uma furada que os consumidores devem evitar para não ficarem frustrados.

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