Finanças
Puxada por Vale, bolsa fecha em queda e volta aos 114 mil pontos; dólar sobe
Índices do exterior viraram para baixa após subirem com o otimismo em relação à vacina da Pfizer que começou a ser distribuída nos EUA.
A bolsa de valores brasileira fechou em queda nesta segunda-feira (14), sucumbindo à realização de lucros com a queda da Vale (VALE3) entre as maiores pressões de baixa, após ter esboçado voltar ao azul no acumulado de 2020. A mineradora caiu 1,54%, tendo como pano de fundo o declínio dos futuros do minério de ferro na China.
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O principal índice da B3, o Ibovespa, fechou em queda de 0,45%, aos 114.611 pontos. No mês de dezembro, o indicador acumula valorização de 5,25%. No acumulado do ano, contudo, voltou para o terreno negativo, caindo 0,89% até o fechamento.
Mesmo sem alcançar as máximas históricas do começo de 2020, quando encostou em 120 mil pontos, e ainda acumulando uma variação negativa de 0,89% no ano, o Ibovespa contabiliza valorização de mais de 85% desde as mínimas do ano, em março.
Nesse contexto, a inclusão de prorrogação do auxílio emergencial em projeto no Senado contribuiu para conter o Ibovespa e trouxe cautela. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) propôs a extensão do auxílio emergencial e prorrogação do estado de calamidade pública até 31 de março de 2021.
Dólar volta a subir
Já o dólar comercial terminou negociado a R$ 5,1228, subindo 1,52% e acumulando queda de 4,18% no mês de dezembro. Na mínima do dia, a moeda chegou a cair para R$ 5,0109.
Alguns analistas disseram que a virada no comportamento da moeda em relação às mínimas do pregão não refletiu uma mudança significativa no cenário desta manhã, atribuindo o movimento a um ajuste.
“Há pontos de realização. Quando a moeda encosta em 5 reais é natural que haja um movimento de compra”, disse à Reuters Fernando Bergallo, diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital, acrescentando que o mês de dezembro deve contar com volatilidade, devido a mudanças na liquidez e reajuste de posições.
Destaques do dia
No setor de mineração e siderurgia, além da Vale, outras companhias sofreram com a queda no minério de ferro. CSN (CSNA3) perdeu 3,68%, Usiminas (USIM5) recuou 2,64% e Gerdau (GGBR4) cedeu 0,65%.
Petrobras (PETR4) avançou 0,18%, encontrando algum suporte na alta dos preços do petróleo no exterior, com o Brent fechando em alta de 0,64%, a 50,29 dólares o barril.
Já a ação do Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 1,34%, em sessão sem sinal único dos papéis de bancos, com BRADESCO (BBDC4) perdendo 0,53%. A varejista MAGAZINE LUIZA (MGLU3) valorizou-se 4,61%, após três quedas seguidas, período em que acumulou declínio de quase 8%.
A atividade econômica brasileira apresentou crescimento em outubro, mas o ritmo de recuperação dos efeitos da pandemia de coronavírus perdeu força no início do quarto trimestre, de acordo com dados do Banco Central.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,86% em outubro na comparação com o mês anterior, segundo dado dessazonalizado divulgado nesta segunda-feira.
O resultado foi o sexto em território positivo e ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,9% no mês. Entretanto, o ritmo de expansão da atividade desacelerou depois de uma alta de 1,7% em setembro sobre agosto, em dado revisado pelo BC após divulgação anterior de avanço de 1,29%.
Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – em 2020. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (14) pelo Banco Central (BC) mostra que a mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 4,21% para 4,35%. Há um mês, estava em 3,25%. A projeção para o índice em 2021 seguiu em 3,34%. Quatro semanas atrás, estava em 3,22%.
- Selic (a taxa básica da economia): a mediana das previsões para a Selic no próximo ano seguiu em 3,00% ao ano;
- Produto Interno Bruto (PIB): a expectativa para a economia este ano passou de retração de 4,40% para queda de 4,41%;
- Câmbio: a mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi de R$ 5,22 para R$ 5,20.
Bolsas globais
O S&P 500 encerrou em queda nesta segunda após o início da distribuição de uma campanha de vacina contra a Covid-19 nos Estados Unidos, enquanto a Alexion Pharmaceuticals teve forte alta com a oferta de compra de US$ 39 bilhões da AstraZeneca, em um dos maiores negócios do ano.
O Dow Jones atingiu uma máxima recorde antes de encerrar em baixa, pressionado por papéis da Walt Disney. Segundo dados preliminares, o Dow Jones recuou 0,62%, aos 29.859,97 pontos, o S&P 500 perdeu 0,44%, aos 3.647,33 pontos. O Nasdaq teve alta de 0,5%, aos 12.440,04 pontos.
Já as ações europeias subiram, uma vez que a decisão de prorrogar as negociações comerciais entre o Reino Unido e União Europeia mantinha vivas as esperanças de um eventual acordo, mas os ganhos no índice Londres foram limitados pela alta da libra e queda de quase 6% da AstraZeneca.
Com os bancos na liderança, o índice STOXX 600 subiu 0,4% após romper uma sequência de ganhos de cinco semanas, encerrando em queda de 1% na semana passada.
Mais cedo, o mercado acionário da China se recuperou nesta segunda-feira, sustentado pelas esperanças de mais suporte para sustentar a segunda maior economia do mundo afetada pela pandemia de Covid-19.
O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve alta de 0,92%, enquanto o índice de Xangai subiu 0,66%.
Na semana passada, o índice de blue-chips registrou a maior perda semanal em 11 semanas uma vez que o aumento das tensões sino-americanas e preocupações com o aperto da política monetária afetaram o apetite por risco.
A China vai intensificar o suporte de política fiscal para uma estratégia que torne sua economia dependente principalmente da demanda doméstica, cadeias de oferta e inovação, disse o ministro das Finanças, Liu Kun.
A China apresentou uma estratégia de “dupla circulação” para a próxima fase do desenvolvimento econômico em que contará principalmente com a “circulação doméstica”, ciclo interno de produção, distribuição e consumo, sustentada pela inovação e melhoras na economia.
Veja os fechamentos dos principais índices no mundo:
EUA:
- S&P -0,49%
- Dow Jones -0,62%
- Nasdaq +0,50%
Europa:
- Madri (IBEX35) +0,96%
- Frankfurt (DAX) +0,83%
- Londres (FTSE 100) -0,23%
- Paris (CAC40) +0,37%
Ásia:
- Nikkei +0,30%
- Hang Seng -0,44%
- Shanghai +0,66%
*Com Reuters