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Finanças

Bolsa ignora tensão política e sobe com exterior; dólar fecha abaixo de R$ 5,70

União entre a China e Opep para estabilizar os preços do petróleo animou os investidores.

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bolsa de valores

O principal índice da bolsa brasileira, Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (20), acompanhando o movimento positivo nos índices de Nova York. O investidor ficou atento ao tom otimista do exterior, prevalecendo sobre a expectativa de divulgação da gravação da reunião ministerial do dia 22 de abril, sobre uma possível intenção do presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal, conforme acusa o ex-ministro Sergio Moro.

O Ibovespa avançou 0,79%, negociado aos 81.319 pontos. Já o dólar comercial recuou 1,23% frente ao real, vendido a R$ 5,69.

As ações das companhias aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) ficaram entre os destaques de alta do dia, fechando com valorizaçao, de 8,84% (a R$ 12,68) e de 12,31% (a R$ 15,31), respectivamente. A alta veio após o ministro da Economia, Paulo Guedes, conceder uma entrevista ao jornal “Folha de São Paulo” afirmando que o governo pretende tornar-se acionista das aéreas para parte do pacote de socorro contra a crise causada pela Covid-19.

Otimismo no exterior

No exterior, teve efeito positivo a notícia de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a China se comprometeram a trabalhar juntas para estabilizar o mercado mundial do petróleo. Os preços seguem em níveis baixos, movimento que já vinha mesmo antes do novo coronavírus, que reduziu a demanda.

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta, embalados pela notícia. O petróleo WTI para julho fechou em alta 4,79%, a US$ 33,49 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), mas o Brent para o mesmo mês avançou 3,17%, a US$ 35,75 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE). As ações da Petrobras (PETR4) foram beneficiadas pelo movimento e subiram 3,34%, negociadas a R$ 19,30.

As declarações “otimistas” da China em conjunto com a Opep contribuíram com a melhora dos ativos, em uma semana marcada pelo clima mais ameno entre os investidores, à luz da reabertura de economias e de sinais de avanços nas pesquisas contra a Covid-19, cita em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada.

Campos Neto, no entanto, pondera que ruídos locais sustentaram alguma cautela. “Os números alarmantes da epidemia no País e as turbulências políticas não autorizam otimismo por ora”, avalia.

Cenário político ainda gera cautela

Bolsonaro demitiu nesta manhã Regina Duarte, da Cultura, após dias de “fritura”. Alegando que a atriz sente falta da família, que vive na capital paulista, concedeu a ela um cargo na Cinemateca de São Paulo.

A expectativa é de que o vídeo do encontro ministerial do qual participaram Moro e Bolsonaro seja divulgado na íntegra, inclusive com isso ocorrendo ainda nesta quarta, o que tende a prejudicar mais a imagem já desgastada do Brasil no exterior, a depender do seu conteúdo. Neste sentido, a volta do investidor para o mercado interno ficaria cada dia mais difícil, ainda mais levando em conta as contínuas atitudes de Jair Bolsonaro em relação ao novo coronavírus.

Ontem, quando o País alcançou a marca de mais de mil mortes registradas pelo vírus, o presidente, que defende o uso de cloroquina como medicamento para atenuar a doença, foi infeliz ao fazer mais uma piada sobre o assunto. “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína”, disse o mandatário.

Também ficou no foco das atenções o depoimento esperado do empresário Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), à PF do Rio, o que também pode “gerar barulho”, diz Campos Neto. Marinho afirma que um delegado da PF teria passado informações para Flávio Bolsonaro sobre uma operação que atingiria o filho do presidente e assessores, investigados no esquema de “rachadinha”, que é quando os assessores têm que devolver parte dos salários recebidos.

Feriado com bolsa aberta

Apesar de feriado antecipado em São Paulo até sexta-feira, a Bolsa e os bancos funcionaram. Na B3, o segmento segue chamando a atenção. Por conta da pandemia, no Congresso, já há pelos menos 336 propostas da categoria como tabelamento de juros do cheque especial e alta de impostos.

O setor aéreo, que tem sofrido as influências negativas da doença no País, ao reduzir a demanda, também deve movimentar os negócios hoje. A Azul informou que elevará a malha diária de voos em junho, mas ainda assim, a média diária de decolagens ficará 80% menor do que no mesmo mês de 2019. A Gol já havia anunciado que expandirá o total de voos diários, mas o numero também ficará 87% aquém do observado antes.

Apesar disso e da informação de que a Fitch Ratings rebaixou as notas de crédito da Azul e da Gol para B-, com perspectiva negativa, as ações das empresas sobem na faixa de 5% na B3, liderando a lista de maiores ganhos.

Bolsas globais

As bolsas da Europa fecharam em alta de mais de 1%, recuperando-se das perdas de terça-feira, sustentadas pelo otimismo no mercado de energia, após declaração conjunta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da China. Apesar da divulgação de dados de inflação frustrantes na zona do euro, o índice Stoxx 600 encerrou com ganho de 0,98%, a 342,82 pontos.

No Reino Unido, repercutiram as declarações do presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, e de dirigentes da instituição, em audiência virtual ao Parlamento britânico. Na sessão, Bailey não descartou a possibilidade de a autoridade monetária adotar juros negativos e de comprar ativos de risco. Diante disso, o índice FTSE 100 avançou 1,08%, a 6.067,16 pontos.

Um dos destaques no mercado inglês nesta quarta-feira foi o papel da BP, que subiu 1,40%, na esteira do rali nas cotações de petróleo. A alta foi impulsionada por um comunicado conjunto de Pequim com a Opep, que se comprometeram a trabalhar juntos para estabilizar o setor, em meio à crise do coronavírus. Com o bom humor, o subíndice de petróleo e gás do Stoxx 600 saltou 1,66%.

Já em Paris, o papel da Total registrou alta de 1,26%, enquanto o índice CAC 40 ganhou 0,87%, a 4.496,98 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX subiu 1,34%, a 11.223,71 pontos.

O noticiário positivo acabou ofuscando dados referentes a zona do euro. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% na comparação anual de abril, desacelerando significativamente em relação ao aumento de 0,7% observado em março. Já o índice de confiança foi de -22 no mês passado a -18,8 este mês. Assim, em Milão, o FTSE MIB teve alta de 1,05%, a 17.213,11 pontos.

Em Madri, o Ibex 35 subiu 1,13%, a 6.683,60 pontos, enquanto, em Lisboa, o PSI 20, avançou 1,00%, a 4.223,33, na máxima do dia.

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