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Finanças

Bredda, do Alaska: ‘Se a queda foi rápida, a volta também será’

O gestor de um dos fundos mais badalados do país fala em entrevista exclusiva para o InvestNews sobre o forte tombo das últimas semanas, lições aprendidas e boatos de que a gestora estaria em situação delicada.

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Henrique Bredda Alaska
Divulgação

Desde que o fundo de ações Alaska Black amargurou perdas acima de 30% em um único dia, a rotina de Henrique Bredda, gestor do fundo e uma das figuras mais ativas do mercado financeiro no Twitter, virou de ponta cabeça. Com agenda lotada, ele percorreu muitos estúdios de gravação para dizer um novo mantra aos cotistas: “Isso também passa”, reforçando que eles devem tirar o foco do curto prazo e se preparar para a retomada econômica. “Os investidores precisam sair desta crise melhor do que entraram”, defende.

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Bredda garante que o impacto sofrido no Alaska já passou. Contudo, deixou lições. Após 17 de março, por exemplo, a gestora zerou suas posições em câmbio e permaneceu à espera de mudanças. “Estamos estudando melhor o momento de voltar. Por ora, só fizemos o desbalanceado de algumas ações da carteira e permanecemos comprados em ações”, diz.

Para o gestor, o pesadelo acabou e até junho o mercado financeiro deve se recuperar, antes mesmo que o PIB, inaugurando uma “época dourada”. Ele diz acreditar que algumas empresas listadas na B3 vão usufruir da liquidez para comprar concorrentes quebrados. Os investidores pacientes também devem colher recompensas. “É difícil dissociar preço baixo de crises, mas para quem entende de longo prazo, este é um bom momento para comprar e para entrar no mercado”, explica.

Em entrevista ao InvestNews, Bredda falou sobre a política de risco dos fundos na Alaska e como a gestora se prepara para “surfar” no já anunciado período de recessão pelo qual o país deve passar.

InvestNews – Os cotistas deveriam entrar em pânico com a forte queda dos fundos? Qual é a política de risco do Alaska?

Henrique Bredda – Sempre há frustração após um mês ruim, mas o importante é entender como nosso fundo se comporta. Vejam a evolução que teve desde 2015 até hoje. O fundo cresceu 130% em 2016, três vezes mais do que a bolsa. Se manteve em 2017 e empatou em performance em 2018.

Não dá para sair falando de política de risco em rede social, é algo muito difícil. Então avaliem o desempenho do fundo e falem com a nossa gestão. Os cotistas aprenderam muito sobre risco após o Joesley Day [18 de maio de 2017]. Somos um fundo com posições agressivas, o Alaska BDR é para pessoas qualificadas, para o público em geral temos o Alaska Institucional.

Após esta experiência, todos faremos melhor o dever de casa. O fundo BDR pode ficar zerado em ações. Já os outros fundos não podem ter exposição menor a 67%. No Alaska BDR, a gente baixa a locação para 67% e vende 66% do fundo em índice futuro. A carteira fica praticamente no CDI.

Se a gente entende que os ativos brasileiros estão baratos, vamos assumir riscos maiores, mas se o Brasil está caro, nosso fundo vai ter menos risco.

InvestNews – Por que vocês zeraram a posição em dólar do Alaska Black BDR?

Henrique Bredda – Desde 2016, percebemos que a bolsa brasileira em dólares está mais barata do que em reais. Então começamos a utilizar dólar vendido [apostando na baixa da moeda] para nos proteger da queda dos juros. Quanto mais os juros de curto prazo caem no Brasil, mais o dólar se valoriza. Então perdemos no dólar enquanto ele sobe, mas ganhamos nos juros enquanto eles descem. Esta combinação nos deixa tranquilos para investir em empresas do Brasil (Suzano, Vale, Klabin, Marcopolo), o que é super vantajoso.

Após os circuit breakers, percebemos que não existia mais uma referência de preços, então saímos do dólar até o mercado se encontrar. O fundo BDR está apenas comprado em ações. A estratégia nos causou perdas, mas não temos data para voltar à posição. Isso só ocorrerá se os EUA auxiliarem o Brasil com medidas de liquidez ou se a pandemia melhorar.

Por que escolheram DI e dólar no lugar de índices futuros?

Para carteiras de ações diferentes do Ibovespa, que é o nosso caso, vender índice futuro seria um agravante. Se o índice sobe, sua carteira cai e você perde nas duas pontas. A nossa proteção é não pagar caro nos ativos. Se o ativo está valendo o preço da tela, no lugar de vender índice futuro, você se desfaz do ativo. Em crises como em 2002 e 2008, a gente estava protegido com ativos baratos.

O Alaska vive momentos difíceis ou isso não passa de rumores?

A gente passou sim por um momento difícil com quedas fortes, mas houve especulações alarmistas e muitos exageros. Não tem nenhuma possibilidade de a gente quebrar. As chances de cair mais do que a bolsa acabaram. Entendemos o medo, nem todo mundo entende o fundamento do fundo. Mas os cotistas precisam se preocupar com o mercado, não com o fundo.

Como o VaR do Alaska BDR reagiu após as quedas? A política de risco vai mudar?

No Alaska BDR, controlamos as posições e as ações, o dólar pode ter no máximo um patrimônio. Se a gente está comprado em ações no lugar de dólar, trabalhamos com oscilações. Para os juros, a métrica é o patrimônio.

O que fica de lição da nossa queda, que foi a mais rápida em 60 anos de bolsa, é que quando a gente tiver posições combinadas, estas devem ser menores. Outro fator que utilizamos para avaliar o risco é monitorar as empresas, que podem falir ou ter problemas de governança. Para isso participamos de 15 conselhos.

O Alaska Black BDR vai ter mudanças. Continuaremos aumentando a gamas de ativos do fundo para investir, mas em tamanhos menores. Este é um raro momento em que a bolsa oferece melhor alocação de capital do que o fundo. Mas vamos continuar investindo em ações no Brasil porque os ativos estão mais baratos.

Também vamos permanecer zerados em dólar por um bom tempo. No curto prazo estamos sem direção. Depois de abril teremos uma visão mais clara. Mas os cotistas podem ficar calmos, se a queda foi rápida, a volta também será.

Qual será a magnitude da recessão que está por vir? A Bolsa pode fechar?

O PIB deve ficar na casa de 0% a -0,5%. No segundo semestre, a economia deve ter um “efeito chicote” com a reabertura dos negócios. A Bolsa está se recuperando, então acredito que a queda não supera os 60 mil pontos. Talvez fechemos o ano perto dos 80 mil pontos.

Tem investidor falando que a Bolsa deve fechar e acho isso uma grande bobagem. Tiraria a oportunidade de quem quer comprar ativo barato. Quem estiver desesperado que venda e quem tiver sangue frio que compre, mas deixem o mercado funcionar.

Vocês estão de olho em quais setores no momento?

Acreditamos que a tendência é melhorar o cenário interno, por isso estamos de olho em empresas vinculadas à economia doméstica, o que inclui os setores de varejo, logística e educação.

Algumas empresas já temos e outras estamos de olho. Continuamos confiantes na ação da varejista Magazine Luiza (MGLU3), que combina varejo e tecnologia. Na educação, temos afinidade e somos investidores da Cogna (COGN3), antiga Kroton. Na logística, somos acionistas da Rumo (RAIL3), acreditamos que ferrovia é uma solução para o Brasil crescer, o que ficou claro após a crise dos caminhoneiros em 2018. No nosso radar também está a Renner (LREN3), que está sofrendo no curto prazo, mas é uma ótima oportunidade.

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