A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revogou nesta segunda-feira (23) a suspensão da oferta pública de distribuição de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), de classe sênior da 1ª série a 31ª série da Gaia Impacto Securitizadora, que vai financiar sete cooperativas do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

Em comunicado, a autarquia manifestou que todas as irregularidades foram sanadas, e que agora a Gaia Impacto Securitizadora deve comunicar aos investidores que aderiram à oferta, para que confirmem em até cinco dias úteis o interesse de manter o investimento. Caso os investidores não se manifestem, o silêncio será presumido como continuidade da oferta.

A suspensão da CVM ocorreu no dia 30 de julho, a autarquia apontou irregularidades no prospecto. Segundo a CVM a oferta não apresentava informações consideradas essenciais para que os investidores tomem as suas decisões.

Um assunto em discussão era o fato que os ofertantes deveriam incluir nos documentos da oferta e prospecto a vinculação do lastro do CRA ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e não apenas às sete cooperativas financiadas.

O pedido gerou controvérsias entre o Movimento e a securitizadora Gaia, estes chegaram a apontar que o MST não poderia ser considerado um grupo econômico e portanto não se enquadraria tecnicamente nesta categoria jurídica.

Em um novo prospecto, que foi atualizado pela securitizadora e já consta na lista de ofertas em análise da CVM desde o dia 16 de agosto, o documento aponta que o MST pode ser definido apenas como um movimento social. Neste sentido “não se trata de forma alguma de captação de recursos pelo e para o MST, mas, sim pelos devedores que atuam no importante setor do agronegócio, que é a agricultura familiar”.

Por meio da sua assessoria, a CVM confirmou ao InvestNews que estas irregularidades foram sanadas, e agora cabe a securitizadora informar o prazo para retomar a oferta. Procurada, a Gaia ainda não respondeu sobre este prazo.

A oferta tem por objetivo levantar R$ 17,5 milhões no mercado de capitais para financiar a agricultura familiar. O recurso será destinado para ampliar a capacidade de produção de sete cooperativas que produzem leite, milho, arroz, soja, açúcar mascavo e suco de uva.

As cooperativas estão localizadas nos estados de Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e estão compostas por 13 mil famílias.

Os títulos serão emitidos pela securitizadora Gaia Impacto, com o valor de R$ 100 cada e uma remuneração de 5,5% ao ano.vencimento dos títulos é de cinco anos, em 3 de julho de 2026.

Para onde vai o dinheiro da emissão do MST?

Os R$ 17,5 milhões da emissão serão destinados a sete cooperativas responsáveis pela renda de 13 mil famílias do MST.

O recurso da operação terá como principal objetivo o desenvolvimento territorial, estruturando cadeias produtivas, adquirindo matéria prima e ampliando a produção de leite, milho, arroz, soja, açúcar mascavo e suco de uva nas cooperativas.

Segundo o prospecto, as cooperativas beneficiadas são: