Haddad indicou Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, como candidato a uma das duas vagas da diretoria, disseram as fontes, que pediram anonimato para discutir assuntos internos.
Economista de esquerda, Mello se uniu a Haddad na defesa da redução da taxa básica de juros, que atualmente está em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas.
Haddad não comentou. Mello e o gabinete de Lula não responderam imediatamente aos pedidos de comentários enviados fora do horário comercial na noite de sexta-feira.
A diretoria de nove membros, liderada por Gabriel Galípolo, tem duas vagas desde o final de 2025, quando os mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes terminaram.
Lula já acatou o conselho de seu ministro sobre nomeações para o banco central no passado: Galípolo, que ele indicou para a diretoria em 2023 e nomeou presidente um ano depois, era anteriormente secretário-executivo de Haddad no Ministério da Fazenda. Mas permanece incerto se o presidente acatará a sugestão de Haddad desta vez, disseram as fontes.
O BC decidiu, na última quarta-feira, manter a taxa básica de juros Selic inalterada pela quinta reunião consecutiva, sinalizando que começará a cortar as taxas em sua próxima reunião, em março. Apenas sete membros participaram da decisão desta semana.
Mello, de 42 anos, faz parte de um grupo de economistas estruturalistas — intelectuais de esquerda que defendem o papel estatal e o investimento público para impulsionar a produção e corrigir os desequilíbrios entre oferta e demanda que podem estar causando inflação, em vez de depender exclusivamente da política monetária para regular a oferta de moeda.
Ele ocupa seu cargo atual desde que Lula retornou à presidência em 2023. Mello já havia assessorado a campanha presidencial de Haddad em 2018 e fez parte da equipe que desenvolveu o programa econômico de Lula durante a eleição de 2022.