Publicidade

Os contribuintes brasileiros já podem começar a se planejar para as próximas duas declarações do Imposto de Renda. A tabela válida para a declaração de 2026 (ano-base 2025) já foi oficialmente divulgada pela Receita Federal e está em vigor para o cálculo do imposto ao longo do ano. Para a declaração de 2027 (ano-base 2026), o governo federal confirmou a ampliação da faixa de isenção, que passará a alcançar quem ganha até R$ 5 mil por mês, por meio da aplicação de redutores adicionais.

Apesar da mudança prevista para 2027, a tabela progressiva do Imposto de Renda continua existindo. O que muda é a aplicação de descontos complementares sobre o imposto calculado, preservando a progressividade do sistema.

Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025): tabela oficial já divulgada

A declaração a ser entregue em 2026 seguirá a tabela progressiva anual oficial da Receita Federal, válida para os rendimentos recebidos em 2025. As alíquotas permanecem entre 7,5% e 27,5%, sem redutores adicionais.

Incidência anual — declaração em 2026 (ano-calendário 2025)

Base de cálculo anual (R$) Alíquota Parcela a deduzir (R$)
Até 28.467,20 Isento 0,00
De 28.467,21 até 33.919,80 7,5% 2.135,04
De 33.919,81 até 45.012,60 15% 4.679,03
De 45.012,61 até 55.976,16 22,5% 8.054,97
Acima de 55.976,16 27,5% 10.853,78

Fonte: Receita Federal

Na prática, a faixa de isenção formal permanece no piso da tabela. O contribuinte ainda pode optar pelo desconto simplificado, quando vantajoso, em substituição às deduções legais.

Imposto de Renda 2027 (ano-base 2026): mudança estrutural com redutores

É na declaração de 2027 que ocorre a principal mudança estrutural. Segundo análise da Velotax, referência em inteligência fiscal, a ampliação da isenção até R$ 5 mil altera a forma como a renda da classe média é tributada, mesmo para quem continuará pagando imposto.

“O imposto é progressivo e fatiado. Quando a base de isenção sobe, o contribuinte de classe média passa a tributar uma parcela menor do seu rendimento nas alíquotas mais altas”, diz Victor Savioli, cofundador da Velotax.

Publicidade

Embora a correção ajude a reduzir a defasagem inflacionária da tabela, o principal impacto está no chamado efeito cascata, que reduz a carga tributária efetiva em diversas faixas de renda.

“Muitos contribuintes acreditam que a mudança só beneficia quem é isento, mas na verdade, ela reduz a carga tributária de quase todos os trabalhadores. O risco é que esse alívio mensal, muitas vezes de algumas dezenas de reais, acabe diluído no consumo do dia a dia em vez de ser revertido em investimento”, afirma o executivo.

Como funcionará a isenção progressiva em 2027

Na declaração de 2027, a tabela progressiva do IR seguirá valendo, com as mesmas alíquotas. O imposto será apurado normalmente e, depois, será aplicado um redutor adicional, conforme a renda mensal:

Tabela simulada do Imposto de Renda 2027 (ano-base 2026 — com redutores adicionais)

A tabela abaixo é uma simulação, construída com base nas regras atuais e nas informações já divulgadas pelo governo. A tabela progressiva continua válida; a diferença está na aplicação dos redutores sobre o imposto calculado.

Incidência mensal — simulação

Renda mensal (R$) Situação tributária Imposto pela tabela do IR Redutor adicional Imposto efetivo
Até 5.000 Isento Calculado normalmente Redutor de 100% Zero
De 5.000,01 até 7.350 Isenção parcial Calculado normalmente Redutor decrescente Menor que hoje
Acima de 7.350 Tributação integral Calculado normalmente Sem redutor Igual à regra atual

Menor IR agora, restituição menor depois

Outro ponto de atenção destacado pela Velotax é o impacto da mudança sobre a restituição do Imposto de Renda em 2027. Com a redução do imposto retido na fonte ao longo de 2026, o valor a ser devolvido pelo governo tende a ser menor.

“O brasileiro aprendeu a usar a restituição do IR como um 14º salário ou uma poupança forçada. Com as novas faixas, essa ‘poupança’ diminui. O contribuinte precisa entender que terá mais dinheiro disponível agora, mas menos no fechamento da declaração. É hora de trocar a dependência da restituição pela gestão ativa do próprio dinheiro”, aconselha Savioli.

Publicidade

Recomendações práticas para o novo cenário

Diante do novo desenho do Imposto de Renda em 2027, a Velotax sugere três cuidados ao longo do ano-base de 2026: