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Finanças

Novo normal? Confira as 5 ações que mais subiram e caíram nesta semana

Com reabertura gradual da economia e queda do dólar, setores resilientes sofrem impactos. Enquanto turismo e educação se recuperam

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Katherine Rivas
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Acabou a primeira semana de junho, metade do ano, e para sorte de alguns investidores, o Ibovespa, principal índice da B3, está finalmente começando a reagir, cada vez mais perto dos 100 mil pontos. A Bolsa de Valores fechou a sexta-feira (5), em alta de 0,86% aos 94.637 pontos.

Este é o maior patamar do índice da B3, desde o dia 6 de março quando o pregão fechou aos 97.996 pontos. A reabertura econômica dos países caiu como luva em mão no animo dos investidores, contudo ainda há um certo receio no ar. Afinal, estaria a bolsa realmente se recuperando ou esta alta é fruto de muita especulação?

Augusto Costa, especialista em finanças e análise de investimentos do IAG-Escola de Negócios da PUC-Rio, avalia que o Ibovespa foi favorecido por um cenário de maior liquidez e baixa taxa de juros nesta semana, somado a um forte apetite de risco dos investidores, movimento que aquece o mercado. “Comparado com outros mercados emergentes, o Brasil foi o mais afetado no começo da pandemia, os ativos do mercado estão bastante depreciados, se tornando alvo dos investidores que procuram maior retorno”, explica.

Apesar da economia estar reagindo positivamente, os investidores ainda estão cautelosos com o futuro do Ibovespa, assim como sua relação com a economia. Para Costa, manter a alta na bolsa de valores vai depender de boas notícias no cenário internacional, especialmente quando se fala de reabertura de mercados. “Só assim teremos uma noção clara sobre as empresas e se estão acompanhando a economia. Antes disso, afirmar que a alta da bolsa é sustentável é arriscado”.

No entanto, Costa acredita que se os dados de emprego nos EUA continuarem melhorando, é um sinal de que a recuperação pós-pandemia será rápida. “Há forte tendência de recuperação nas próximas semanas, mas é possível que um movimento leve de correção de mercado ainda aconteça na segunda-feira (8)”.

Maiores altas

Chega uma hora que os humilhados são exaltados e parece que algumas companhias seguiram este movimento. Setores que perderam valor de mercado no começo da pandemia como aéreo, turismo e educação, figuram nesta semana entre as maiores altas.

O destaque positivo foi da Gol (GOLL4), que avançou 55,44% no acumulado da semana. Seguida da Azul (AZUL4) que teve alta de 48,18%. A terceira maior alta da semana foi ainda relacionada ao turismo, é o caso da CVC (CVCB3), que subiu 45,14%.

Augusto Costa aponta que estas três empresas- que foram muito impactadas quando a quarentena foi decretada- estão mostrando uma capacidade de recuperação forte por causa da reabertura gradual da economia. “A alta de Gol, Azul e CVC ocorre em função da ativos que depreciaram muito e ficaram baratos, canalizando o fluxo de investimentos”, explica o especialista em finanças.

Além da reabertura econômica a Gol passa por uma reestruturação interna. Recentemente a companhia anunciou um plano de demissão incentivada, na tentativa de equacionar questões financeiras. “O mercado está vendo com bons olhos o esforço da companhia para solucionar seus problemas financeiros”, acrescenta.

Outro setor que conseguiu se reerguer nesta primeira semana de junho foi o de educação. Com Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3), que avançaram 35,39% e 31,18%, respectivamente.

O mercado estaria precificando a compra da Athenas Educacional pela Yduqs, no valor de R$ 120 milhões, que soma muito ao portfólio da companhia. “Com a compra a Yduqs está acrescentando 5 instituições educativas na região norte e centro oeste do Brasil, mais de 9 mil alunos e 67 cursos técnicos, superior e pós-graduação”, afirma Costa e acrescenta “Athenas teve uma receita de R$ 95 milhões em 2019, um ebitda ajustado de R$ 15 milhões, um baita ativo de qualidade”.

Outra que agrada os investidores é a Cogna, que tinha perdido quase 40% do seu valor de mercado em 2020, mas que recentemente anunciou a emissão de R$ 500 milhões em debentures, para reforçar o capital de giro da companhia e se reestruturar. Movimento bem avaliado pelo Banco do Brasil e o mercado.

Confira as 5 maiores altas desta semana:

Ações Alta
Gol (GOLL4) 55.44%
Azul (AZUL4)48.18%
CVC (CVCB3)45.14%
Yduqs (YDUQ3) 35.39%
Cogna (COGN3) 31.18%

Maiores quedas

Ainda no novo cenário de recuperação econômica, o setor varejo, representado por duas empresas fortes na bolsa de valores liderou as maiores quedas.

O destaque negativo da semana foi da Magazine Luiza (MGLU3), que recuou 7,61% no acumulado. Seguida da B2W (BTOW3), que teve queda de 5,77%.

O especialista em finanças da IAG avalia que a queda das companhias está relacionada a um movimento de correção de mercado, após diversas altas, especialmente na Magazine Luiza, que disparou 11% após divulgar seu balanço do 1º trimestre de 2020, na semana passada. A B2W seguiria este mesmo fluxo. “É possível ainda que ocorra alguma oscilação das varejistas na próxima semana, mas com a retomada da economia, as empresas de varejo são as que devem se valorizar mais”, diz.

Outro setor que sofreu impactos foram os frigoríficos. A JBS (JBSS3) teve queda acumulada de 4,64% nesta semana. A companhia estaria sofrendo uma investigação na sede dos EUA por prática antitruste, o que prejudicou e ainda deve impactar nas próximas semanas no preço dos ativos.

Entre as maiores quedas da semana também estavam a Klabin (KLBN11) e Minerva (BEEF3), ambas as companhias afetadas pela desvalorização do dólar frente ao real. “O dólar caiu substancialmente esta semana, sendo negociado abaixo de R$5, uma queda de quase 10%. Em cenários assim empresas exportadoras sempre são afetadas”, conclui Costa.

Confira as 5 maiores quedas da semana:

Ação Queda
Magazine Luiza (MGLU3)-7.61%
B2W (BTOW3)-5.77%
JBS (JBSS3)-4.64%
Klabin (KLBN11)-3.09%
Minerva (BEEF3)-2.84%

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