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Finanças

As 25 ações que mais caíram em março

Com queda de 36,86% desde janeiro, Ibovespa teve o pior trimestre na história

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O Ibovespa encerrou o mês de março com um tombo de 29,9%. Não fosse o suficiente, a bolsa teve o pior desempenho trimestral em toda sua história, recuando 36,86% desde janeiro. Para complementar o clima de pessimismo, o pregão encerrou nesta terça-feira (31) com queda 2,17% aos 73.019 pontos.

Entre os setores com pior desempenho em março estão: aviação, turismo, varejo e educação impactados diretamente pelo Covid-19.

Vivendo uma tempestade perfeita, o destaque negativo do mês foi da IRB Brasil RE (IRBR3) que amargurou perda de 65,43%. Para Giácomo Diniz, professor de Finanças do Ibmec o desempenho da empresa teve quedas sucessivas por conta de problemas relacionados a governança corporativa e demonstração de resultados, o que somado ao risco da pandemia fez com que a empresa tivesse a maior queda do mês. “A IRB Brasil caiu tanto (65,43%) que uma hora o valor da ação ficou interessante na ótica do investidor, muitos deles pensaram: ‘Por esse preço estou disposto a assumir os riscos’, apesar disso foi impossível reverter o quadro da companhia”.

Segundo a assessora de investimentos Luciana Ikedo, a IRB foi a ação que mais sofreu por causa da quebra de confiança do mercado que antecedeu ao coronavírus. A troca de comando e questionamentos dos resultados da companhia também influenciaram na queda abrupta das ações. “Houve melhorias com algumas incertezas esclarecidas, números sendo monitorados atentamente, mas é muito cedo para tirar conclusões nesta crise que atingiu o mercado global e brasileiro”, aponta Luciana.

As 10 piores do mês

Entre as ações que mais caíram em março estão: IRB Brasil (-65,43%), Via Varejo (-63,26%), Smiles Fidelidade (-62,01%), Cogna Educação (-61,87%), Azul (-60,11%), Yduqs (-56,60%), GOL (-54,74%), Cyrela (-53,78%), CVC (-50,69%) e Petrobras (-48,58%).

Diniz afirma que o setor de aviação AZUL (AZUL4) e GOL (GOLL4) sofreu queda brutal na demanda. A maioria dos aviões ficaram em solo o que impactou no desempenho. A Smiles Fidelidade (SMLS3) seguiu a mesma lógica do setor.

No turismo, a CVC (CVCB3) sofreu os prejuízos após ter sua receita reduzida com menos viagens. A limitação de transito das pessoas durante a quarentena também foi outro dos aspectos.

O setor de educação Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3)também foi afetado pela quarentena, com a suspensão das aulas que no curto prazo levará as pessoas a rever orçamentos. “Com o desemprego chegando, muitas pessoas devem cancelar matrículas. Agora com a suspensão das aulas presenciais, muitos alunos ficam desmotivados, sem perspectiva e com dificuldade de se adaptar ao ensino on-line”, defende Diniz.

Já a Via Varejo (VVAR3), sofreu as consequências da lenta retomada após troca de comando, assim como o prejuízo de questões contáveis. Somado a este cenário, a quarentena e o aumento de desemprego devem interferir ainda mais nos resultados da empresa. “Apesar da queda no período, muitos analistas ainda consideram a Via Varejo como uma companhia sólida sem risco de insolvência, o que pode representar uma oportunidade para novos investidores”, explica Luciana.

Para os especialistas, o tombo da Petrobras (PETR4) seria fruto do impasse comercial entre Arábia Saudita e Russia, assim como a queda de demanda do petróleo durante a pandemia. A Cyrela (CYRE3), que também apareceu entre as 10 maiores quedas de março, ascende uma alerta sobre a situação das incorporadoras com a crise na construção civil.

No olho do furacão

Para quem estava otimista com o futuro, aperte o cinto porque estamos entrando no olho da tormenta. Segundo Diniz do Ibmec, a pandemia no Brasil estaria um mês atrás dos efeitos sentidos nos EUA, por este motivo ainda há um longo caminho até a recuperação. É esta visão que explica o tombo do Ibovespa, que teve o pior desempenho trimestral da história, com queda de 36,86%. “A Bolsa caiu muito, houve alguns repiques de alta mas sem volume. Quando há longos períodos de queda, temos repiques de alta que na verdade são movimentos de correção do mercado”, explica Diniz sobre as últimas altas do pregão desta semana.

Ele defende que o mercado ainda é carente de dados efetivos, apesar dos impulsos econômicos do governo. “A Bolsa ainda vai ficar a mercê do noticiário diário, vivendo alta volatilidade”, conclui e acrescenta que após a crise teremos uma retração psicológica dos consumidores motivada pela falta de renda e emprego. “Muito dinheiro vai se perder neste período, várias empresas vão quebrar, e o caos vai se materializar nos investidores”, lamenta.

Apesar de ser um momento crítico para os investidores, Luciana enxerga uma luz no fundo do túnel. É o caso de setores defensivos à crise: produtores de proteína, empresas de saneamento e energia, grandes bancos que devem se beneficiar pela concessão de crédito. Seguindo este raciocínio, algumas empresas sofreram menos em março. É o caso de Rumo (RAIL3) que perdeu apenas 6,56%, a Vale (VALE3) que recuou 6,75% no acumulado do mês apesar de um futuro nebuloso. E no setor de alimentação, o Atacadão (CRFB3) perdeu 5,80%, sendo beneficiado pelo abastecimento das famílias, assim como a JBS (JBSS3) que recuou 10,32% na procura do consumidor por proteína animal. Há uma luz no fundo do poço.

Confira as 25 ações que mais caíram no mês de março:

AçõesPerda mensal
IRB Brasil (IRBR3)-65.43%
Via Varejo (VVAR3)-63.26%
Smiles Fidelidade (SMLS3)-62.01%
Cogna (COGN3)-61.87%
Azul (AZUL4)-60.11%
YDUQS (YDUQ3)-56.60%
GOL (GOLL4)-54.74%
CYRELA (CYRE3)-53.78%
CVC (CVCB3)-50.69%
PETROBRAS (PETR4)-48.58%
Banco BTG (BPAC11)-48.22%
LOCALIZA (RENT3)-46.91%
PETROBRAS PN (PETR3)-46.30%
EMBRAER (EMBR3)-43.58%
GERDAU ON (GGBR3)-43.08%
SID NACIONAL (CSNA3)-42.65%
GERDAU PN (GGBR4)-42.44%
BRF (BRFS3)-42.29%
NATURA (NTCO3)-42.16%
Petrobras Distribuidora (BRDT3)-40.94%
ECORODOVIAS (ECOR3)-40.90%
USIMINAS (USIM5)-40.65%
BR MALLS (BRML3)-39.66%
MULTIPLAN (MULT3)-38.89%
BRASIL ON (BBAS3)-38.76%

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