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Finanças

É bom negócio investir no S&P 500, o índice das maiores empresas americanas?

Quer ser dono de um pedaço da Apple, Amazon ou Facebook: Conheça os caminhos para investir no índice conhecido como o termômetro global da renda variável.

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Katherine Rivas

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, já recuperou boa parte do que perdeu desde a chegada da pandemia. Mas especialistas acreditam que o processo ainda é lento e incerto. Diante do cenário de juros baixos, com a Selic em 2,25% ao ano, uma das opções dentro da renda variável é apostar em ações de empresas como Apple, Amazon, Disney, Netflix e Google, todas listadas nas bolsas americanas.

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Para Luciana Ikedo, assessora de investimentos e sócio-fundadora do escritório Ikedo Investimentos, olhar para índices americanos como o S&P 500 é uma boa oportunidade para o investidor diversificar a carteira, já que o mercado de ações americano é mais consolidado e deve ter uma recuperação mais rápida que o Ibovespa. Mas como investir neste mercado?

Por dentro do S&P 500

Primeiro, é importante entender o que é o S&P 500 e de que forma ele pode ser acessado pelo investidor brasileiro. O índice S&P 500 nasceu em 1957, lançado pela Standard & Poor’s, agência de classificação de risco do mercado financeiro (aquela que dá nota de crédito a empresas e países). Atualmente, o indicador é o mais famoso do mundo, representando quase 80% da cobertura de capitalização do mercado de ações nos EUA.

Capitalização (ou valor de mercado) é o quanto uma empresa vale na bolsa. Para calcular este valor, é necessário multiplicar o número de ações emitidas pelo preço destas ações. O índice S&P 500 se tornou um índice forte graças a esta capitalização, traduzindo assim a robustez do mercado americano.

No índice, é possível encontrar as 500 maiores ações da bolsa americana. Estas pertencem as companhias líderes dos Estados Unidos. Atualmente, o valor atual do S&P 500 supera os US$ 26,4 trilhões.

As 500 maiores empresas

Hoje, o S&P 500 reúne 505 empresas de todos os setores. A escolha das empresas que integram o índice fica a cargo de um comitê de executivos chamado U.S. Index Committee, que reúne analistas e investidores de uma subsidiária da Standard & Poor’s global.

Para uma empresa poder entrar no S&P 500, são exigidos os seguintes requisitos:

  • a companhia deve ter sede nos Estados Unidos;
  • o valor de mercado mínimo da empresa deve ser de US$ 8,2 bilhões e pelo menos 50% dos seus ativos e receitas devem estar em território americano.
  • o balanço anual da empresa deve ser positivo, assim como o resultado do trimestre mais recente.

Entre as empresas que compõem o índice, 50% das ações devem estar disponíveis para o investidor e o preço mínimo de cada papel deve ser de US$ 1.

Estes são as exigências que o comitê avalia para uma empresa fazer parte do S&P 500, mas elas não garantem a permanência nele. Todo mês, o comitê se reúne para avaliar o desempenho das companhias listadas, comparando estas com o mercado e também com as empresas candidatas. Assim, a cada trimestre a lista do S&P 500 é atualizada , substituindo algumas companhias e incluindo outras.

É por causa deste sistema tão rigoroso que o investidor pode encontrar as maiores companhias do mundo no S&P 500, de todos os setores. Segundo um levantamento da Bloomberg, até o dia 3 de junho de 2020, as 10 maiores companhias que integravam o S&P 500 eram: Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet Inc (a dona do Google), Facebook, Berkshire Hataway, Johnson & Johnson, Visa e Walmart. Os valores de mercado destas companhias começam em US$ 350 bilhões chegando até o valor da Apple na época, de US$ 1,403 trilhão.

Ibovespa x S&P 500

Uma pergunta muito comum do investidor é porque, muitas vezes, a alta do índice S&P 500 influencia o desempenho de outros índices, como o Ibovespa. Luciana Ikedo explica que o S&P 500 é conhecido por ser um termômetro global da renda variável, usado como parâmetro para comparar a rentabilidade dos investimentos.

Comparar a rentabilidade de um investimento em bolsa com o S&P 500, é uma das formas possíveis de determinar a qualidade do ativo. “Todo ativo do mercado financeiro tem um benchmark. Na renda fixa, por exemplo, é o CDI. O investidor costuma medir a rentabilidade de um CDB ou fundo DI, olhando se ele renda acima ou abaixo do CDI. Na renda variável, o S&P 500 também serve como benchmark“, explica Ikedo. “Suponhamos que durante um mês, o S&P 500 teve variação de 1% e o meu ativo rendeu abaixo de 1%, então a rentabilidade não foi boa”.

Assim como o Ibovespa, o S&P 500 possui uma carteira teórica que acompanha a capitalização das empresas. Uma carteira teórica é montada com a finalidade de comparar a evolução do índice, feita pela listagem das empresas e com base em companhias escolhidas. “Em tese, a carteira teórica não existe, porque para existir de fato precisa ter ações compradas. Mas é um instrumento para acompanhar a evolução das empresas listadas na bolsa”, explica Luciana.

Cuidados ao investir no S&P 500

Como citado no começo do texto, investir no S&P 500 pode ser uma estratégia para diversificar a carteira, já que o índice norte-americano faz parte de um mercado mais robusto e que tem um comportamento diferentes do mercado brasileiro (descorrelacionado). Além disso, especialistas acreditam que ele deve se recuperar mais rápido que o Ibovespa. Contudo, há cuidados a tomar.

Segundo Luciana, nem todo mundo está apto a investir em empresas do S&P 500. O índice, assim como outros investimentos em ações, é indicado especialmente para investidores de perfil moderado a agressivo que reúnam as seguintes características:

  • Aptidão para correr risco: o investidor precisa entender que existe uma volatilidade (sobe e desce) natural das ações.
  • Capacidade financeira: o investidor precisa ter suporte financeiro que permita correr este risco. Recursos suficientes para se manter no curto prazo, destinando o investimento para longo prazo. No índice, é possível encontrar alternativas a partir de R$ 5 mil.
  • Conhecimento do mercado financeiro: o investidor precisa entender a diferença entre investir em nda re, renda variável e investimento no exterior. Assim como os efeitos da questão cambial nos investimentos (variação do dólar).

Como investir no exterior?

Após ter feito essa análise prévia, investidores brasileiros que desejam apostar no índice não conseguem fazer isso de forma direta. Por se tratar de uma carteira teórica, podem investir em alguns produtos que replicam o retorno de índices como o S&P 500. Veja abaixo:

  • Fundos Internacionais: Estes fundos, como os off shore, investem em ativos que replicam o S&P 500, utilizando o índice como benchmark.
  • ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de índices negociados na B3. O investidor pode optar pelo IVVB11 ou pelo SPXI11, já que ambos replicam o índice S&P 500 e são negociados na bolsa brasileira. Cada ETF possui uma taxa de administração de 0,24% e a cota destes fundos varia entre R$ 100 e R$ 200.
  • BDRs (Brazilian Depositary Receipts): Esta é a forma mais direta de aplicar em uma empresa americana, mas o investimento, em sua maior parte, é restrito ao grande investidor (com mais de R$ 1 milhão). Os BDRs são recibos de ações americanas negociados na B3, mas atuam como espelhos das ações americanas. Desta forma o investidor pode aplicar nas maiores companhias como Facebook, Berkshire Hathaway, entre outros. A alternativa é interessante para quem está começando a investir no exterior. Ao comprar um BDR você estará investindo apenas na companhia escolhida.

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