A Vale liderou o ranking de ações brasileiras preferidas pelos investidores estrangeiros em 2025, com um volume de R$ 197,7 bilhões. Por serem mais líquidos, os papéis das grandes companhias frequentemente atraem os grandes aplicadores internacionais. Para eles, é um dinheiro pequeno. Para as ações da bolsa, é um caminhão capaz de mudar todo o ponteiro do relógio.
A ação ordinária (ON) da mineradora alcançou a máxima histórica de R$ 82,80 dentro do pregão de hoje. No fechamento, subiu 3,02%, para R$ 82,50. O Ibovespa subiu 3,33%, aos 171.817 pontos.
Além da alta procura pela sua liquidez, as ações da Vale são escolhidas pelos investidores de acordo com as perspectivas para os preços o minério de ferro. A commodity tem se mantido em um patamar acima das projeções do ano passado, em torno de US$ 90 a tonelada, o que beneficia diretamente mineradoras ao redor do mundo.
O principal referencial de preços do minério de ferro – o Contrato Futuro de Minério de Ferro 62% Fe CFR (Cost and Freight) China, referência do mercado – é negociado acima de US$ 105 a tonelada.
Do lado “fundamentalista”, que considera a situação financeira da empresa especificamente, alguns outros atrativos tornam a Vale uma opção de investimento. O principal é a expectativa do mercado em relação à combinação de expansão das atividades da mineradora com redução de custos.
Isso é importante para o posicionamento da empresa na disputa com grandes mineradoras globais, como BHP e Fortescue Metals Group, além da Rio Tinto e da Glencore, que estudam uma fusão – um negócio que criaria a maior companhia de mineração do mundo e uma concorrência ainda mais pesada contra a brasileira.
A Vale planeja alcançar uma produção de 360 milhões de toneladas de minério de ferro em 2030. E os números sugerem que ela está no caminho para atingir o objetivo: a projeção é que a companhia tenha fechado 2025 em 335 milhões de toneladas.
Apesar de pisar o acelerador na produção, a gigante da mineração tem mantido um esforço para reduzir riscos, como o das barragens que levaram a desastres ambientais no passado. A Vale já não tem barragens em nível 3 de emergência – o mais elevado e que pode representar perigo iminente em condições desfavoráveis.
Além disso, segundo os dados do terceiro trimestre de 2025, restam apenas 10 barragens com um nível ainda significativo de vulnerabilidade, ante 35 em 2020. E a expectativa é de que esse número já tenha caído para 6 no encerramento do quarto trimestre.
Outro ponto observado pelos investidores é a mudança do mix de produtos do grupo, com redução de custos e aumento de produtos com maior demanda global, justamente para bater de frente com as concorrentes.
No caso da Vale, isso se traduz na saída de negócios como o carvão mineral e na redução do foco em produtos de menor qualidade, ao mesmo tempo em que a empresa concentra seus esforços em minério de ferro de alto teor, pelotas, níquel e cobre. Esses produtos têm forte demanda internacional e maior valor agregado, com produção em maior escala e a flexibilidade de gerar custos unitários mais baixos.
As siderúrgicas chinesas, por exemplo, buscam principalmente o minério de ferro de médio teor pelo custo-benefício. O metal extraído do principal complexo produtor da Vale, a mina de Carajás, tem um teor de ferro considerado um dos mais elevados do mundo, em torno de 65%.
A companhia, porém, trabalhou para reduzir o custo e ao mesmo tempo aumentar o atendimento à demanda das siderúrgicas globais com uma mistura do minério de Carajás ao de outras minas, com teor próximo de 58%.