O Ibovespa continua a toda. Bastou meio dia de negociação nesta quinta-feira (22) para o principal índice acionário brasileiro pulverizar o recorde nominal obtido um dia antes. Em um primeiro momento, o referencial ultrapassou os 173 mil pontos e, um par de horas depois, superou a marca psicológica dos 175 mil.

No começo da tarde, voou mais, aos 177 mil pontos. No fechamento, perdeu um pouco de força, mas ainda se manteve firme e forte: subiu 2,20%, aos 175.589 pontos.

O dólar se manteve comportado: não oscilou de forma tão marcante como a bolsa, mas ficou abaixo dos R$ 5,30 – mais especificamente R$ 5,2890, em queda de 0,58% no fim do dia.

As ações da Vale, que foram destaque no pregão de ontem, também tiveram mais um dia de ganhos e se mantiveram no território das máximas. O papel ON subiu 0,58%, cotado a R$ 82,98. Na máxima da sessão, alcançou R$ 83,58, novo recorde nominal.

O setor de educação na bolsa foi destaque. As ações da Anima subiram 11,99%, enquanto Cogna e Yduqs tiveram altas de, respectivamente, 7,41% e 1,07%.

O movimento de alta reflete, principalmente, a diversificação internacional. Os investidores globais têm buscado os mercados emergentes tanto para aproveitar o maior potencial de ganhos comparado às bolsas dos países desenvolvidos, como também uma maneira de reduzir a concentração de recursos no mercado americano.

Esse movimento vem desde 2025 e levou o próprio Ibovespa a engrenar uma sequência de recordes seguidos no fim do ano passado.

A geopolítica tem sido o principal fator de influência na alta dos mercados neste início do ano. O otimismo dos investidores ganhou tração após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter baixado o tom nas ameaças de tarifas à Europa para obter o controle da Groenlândia. Além disso, afastou a possibilidade de usar força militar para anexar o território autônomo, que oficialmente faz parte da Dinamarca.

O principal fator para os mercados nesta quinta-feira foi o passo atrás de Trump na questão da disputa pela Groenlândia. Isso após ter feito declarações contundentes dias antes, como afirmar que “não há volta” em seu objetivo de controlar a ilha.

O efeito imediato foi reduzir o chamado “prêmio de risco” – o dinheiro a mais que o investidor exige para aceitar investimentos mais arriscados – que tinha entrado nos preços nos últimos dias.

O ponto cego, porém, é que o tema tarifas não sumiu. Só saiu do megafone, por ora.

A divulgação da primeira prévia do PIB dos EUA no quarto trimestre e do indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o PCE, impactaram pouco o movimento positivo dos mercados acionários.

A economia dos Estados Unidos cresceu 4,4% em 2025. A inflação pelo PCE, por sua vez, ficou em 2,8% no ano passado, dentro das expectativas. Os números seguem bastante alinhados à visão sobre os rumos da política monetária americana.

A visão majoritária do mercado é de que o Fed vai manter os juros entre 3,50% e 3,75% na reunião da próxima semana. A ferramenta FedWatch, da CME, mostra que 95% dos investidores veem o BC dos EUA fazendo uma pausa na primeira reunião do ano.